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Niko Tavernise/Warner Bros.
Niko Tavernise/Warner Bros.

Filmes que fizeram história em Veneza

Confira uma lista de produções que ganharam os primeiros aplausos no Festival de Cinema de Veneza e se tornaram clássicos depois

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 09h00

A  77ª edição do Festival de Cinema de Veneza teve início nesta quarta-feira, 2, em meio a protocolos de segurança para reduzir os perigos de transmissão do novo coronavírus.  Durante dez dias, até 12 de setembro, o mítico Lido de Veneza se torna um ponto de referência para o mundo da cultura e do cinema ao aceitar o desafio de celebrar o primeiro grande evento internacional em meio à pandemia.

Numa edição reduzida, a mostra terá 18 longas da competição pelo Leão de Ouro. Mas, o festival internacional de cinema mais antigo do mundo,  já foi o palco dos primeiros aplausos para diversas produções que se tornaram depois, clássicos do cinema. Veja a seguir uma lista de alguns deles:



 

'Rashomon', de Akira Kurosawa, 1951


A descoberta do cinema japonês. Quatro pessoas envolvidas num caso de estupro/assassinato dão diferentes versões sobre o caso. Grandes cenas de lutas de sabre, Leão de Ouro e Oscar de melhor filme estrangeiro.

 


 

'Sinhá Moça', de Tom Payne, 1953


Naquele ano, o Leão de Ouro não foi atribuído. Ganharam Leões de Prata Kenji Mizoguchi (Contos da Lua Vaga), Federico Fellini (Os Boas Vidas), John Huston (Moulin Rouge) e Marcel Carné (Thérèse Raquin). O Brasil foi contemplado com o Leão de Bronze pela saga abolicionista da Vera Cruz. E Ruth de Souza esteve assim, por um triz, de ganhar o prêmio de melhor atriz.

 


 

'A Palavra', de Carl Theodor Dreyer, 1955


O Leão foi para o mestre dinamarquês da transcendência, pela história do homem que pensa que é Cristo e a mulher que ele ressuscita pela força de sua fé.

 


 

'Aparajito', de Satyajit Ray, 1957


O episódio intermediário – entre Canção da Estrada e A Pedra Filosofalda trilogia que colocou o cinema indiano no mapa mundial. Leão de Ouro. O mundo complexo de Apu, e sua trajetória da infância à maturidade. Nesse filme, em especial – O Invencível, no Brasil -, Apu deixa o vilarejo para estudar em Calcutá.

 


 

'Rocco e Seus Irmãos', de Luchino Visconti, 1959


Escândalo! Um júri cego atribuiu o Leão de Ouro a André Cayatte, A Passagem do Reno, deixando de premiar a obra-prima de Visconti, que sofreu perseguição pela violência do assassinato de Nádia/Annie Girardot. Até o nome da família teve de ser mudado – de Pafundi para Parondi -, porque era o mesmo de um procurador da República, que chegou a pedir a interdição da obra.

 


 

'Dois Destinos', de Valerio Zurlini, 1962


A crônica familiar que Zurlini adaptou do romance de Vasco Pratolini dividiu o Leão de Ouro com A Infância de Ivan, de Andrei Tarkovski. A cor como ferramenta para contar a história, e expressar sentimentos.

 


 

'O Evangelho Segundo São Mateus', de Pier-Paolo Pasolini, 1964


O Leão de Ouro daquele ano foi para Michelangelo Antobioni, Il Deserto Rosso. A cor, de novo, como expressão do mundo, tal como o vê a protagonista, Giuliana/Monica Vitti. Mas o filme que deu o que falar foi o de Pasolini. Comunista, ateu e gay assumido, ele adaptou o mais político dos Evangelhos. Escândalo e perplexidade no Vaticano, mas o filme terminou levando o prêmio do júri católico.

 


 

'Vagas Estrelas da Ursa', de Luchino Visconti, 1965


Dessa vez Visconti levou o Leão de Ouro por sua Electra. Claudia Cardinale como Sandra, que tem de superar a ligação incestuosa com o irmão e o ressentimento contra a mãe, responsável pela morte do pai judeu pelos nazistas.

 


 

'A Bela da Tarde', de Luis Buñuel, 1967


O Leão rugiu para um dos filmes mais influentes, e importantes, da década. Baseado em Joseph Kessel, erigiu o mito de Catherine Deneuve como a mulher burguesa que se prostitui, à tarde, no bordel de Madame Anaïs. Duplamente ousado, no sexo e na linguagem – na linguagem do sexo -,embora, para dizer a verdade, não mostre muita coisa nas cenas 'íntimas'.

 


 

'Os Demônios', de Ken Russell, 1971


Dessa vez, sim, o Vaticano ameaçou excomungar – o diretor, o diretor do festival, os atores Oliver Reed e Vanessa Redgrave. O episódio das freiras possessas de Loudun, que já dera origem a um livro de Aldous Huxley e a um filme premiado em Cannes (Madre Joana dos Anjos, de Jerzy Kawalerowicz, de 1961). Russell, sim, não tinha meias-medidas. Mostra tudo e mais um pouco. Naquele ano não houve Leão de Ouro, mas Russell ganhou o Pasinetti Award.

 


 

'Eles não Usam Black-Tie', de Leon Hirszman, 1981


Grande prêmio especial do júrti e prêmio da crítica (Fipresci) para o clássico que Leon Hirszman adaptou da peça de Gianfrancesco Guarnieri. A classe operária – dividida – não vai para o paraíso. O Leão de Ouro foi para a alemã Margarethe Von Trotta, por Os Anos de Chumbo.

 


 

'Prénom Carmem', de Jean-Luc Godard, 1983


Ou, no Brasil, Carmem de Godard. Num ano pródigo em adaptações da obra de Prosper Merimée, que inspirou a ópera de Bizet, o autor francês foi quem menos se prendeu ao original. Foi recompensado com o Leão. Sua Carmem integra um grupo terrorista que planeja assalto ao banco em que José trabalha como segurança. Como tio Jeannot, o próprio Godard faz o diretor do filme dentro do filme. Numa cena que provocou polêmica, José/Jacques Bonnaffé masturba-se sobre Marushka Detmers, a Carmem, no chuveiro.

 


 

'A Liberdade É Azul', de Krszystof Kieslowski, 1993


O primeiro episódio da trilogia das cores do autor polonês. Juliette Binoche perde o marido, a filha. Desespera-se, mas no limite vive a experiência da liberdade absoluta. Nada de mais valor lhe poderá ser tirado. Um clássico. Dividiu o Leão com Short Cuts – Cenas da Vida, de Robert Altman.

 


 

'O Segredo de Brokeback Mountain', de Ang Lee, 2005


Os dois pastores que têm uma noite de sexo na montanha do título. Para um deles, o episódio terá consequências devastadoras. A homossexualidade encarada com franqueza. Grandes atuações de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, o Leão de Ouro (e o Oscar de direção, o primeiro) para Ang Lee.

 


 

'Roma', de Alfonso Cuarón, 2018


O autor mexicano só conseguiu fazer o filme em parceria com a Netflix. Iniciou uma nova era – a do streaming -, mas para ganhar o Oscar de direção (seu segundo) Roma precisou passar antes pelo cinema. Uma história de família. Como (não) colocar um carro na garagem, a repressão policial e o desfecho no mar.

 


 

'Coringa', de Todd Phillips, 2019


Um spinoff da série Batman, mostrando a gênese do vilão. A grande surpresa – uma radical defensora do cinema de autor, Lucrecia Martel, outorgou o Leão de São Marcos a um blockbuster. Todd Phillips, Se beber não Case. E Joaquin Phoenix, que ganhou, merecidamente, todos os prêmios de interpretação do ano.

 

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