Filmes pornográficos dos EUA buscam reconhecimento com prêmio

Os astros e produtores do setor decinema adulto dos Estados Unidos se reuniram neste final desemana em Las Vegas para a cerimônia anual do prêmio conhecidocomo o Oscar da pornografia, lastimando o fato de que eradifícil conquistar reconhecimento em meio ao número imenso defilmes pornográficos disponíveis atualmente. Até mesmo fontes internas do setor admitem que assistirapenas uma fração dos 12 mil filmes pornô produzidos nos EUA noano passado, para selecionar os vencedores de prêmio emcategorias sexuais específicas, era "uma tarefa menos queinvejável." "É um inferno", disse Jay Grdina, presidente da ClubJenna,uma divisão do grupo Playboy . "Eu preferiria atirar na cabeçado que me submeter a isso." Grdina não sofre de timidez quanto a conteúdo pesado. Eletrabalhou na parte técnica de centenas de filmes, e estrelououtros com sua ex-mulher, Jenna Jameson, talvez o nome maisconhecido na história do cinema adulto. Depois dos anos 80, os avanços do vídeo, a queda no númerode processos judiciais, o surgimento do DVD e a publicidade viaInternet criaram um boom sem precedentes para o setor de cinemapornô norte-americano. Paul Fishbein, editor do Adult Video News, diz que suaequipe assiste a 8.000 filmes por ano, a fim de descobrir osmelhores. "É um processo muito longo, e horrível", disseFishbein em entrevista, dizendo que sua equipe tem 10 pessoasdedicadas à tarefa em tempo integral. "É muito tempoassistindo." O prêmio do cinema pornô se tornou a maior celebração dosetor há 25 anos, e a atual edição foi transmitida ao vivo pelaprimeira vez em TV a cabo, pelo canal Showtime, divisão da CBS. "É um negócio ingrato", disse Evan Stone, 43, que conquistouo prêmio de melhor ator. "Não temos muito retorno construtivo." Tera Patrick, a co-apresentadora da cerimônia de premiação,acrescentou: "Deveríamos ser celebrados pelo trabalho difícilque realizamos." Muita gente diz que o prêmio confere legitimidade a umsetor que continua a ser rejeitado pela mídia mais tradicional."Nós agora estamos mais visíveis," diz Randy Spears, 46, quetrabalha no ramo há 22 anos. "Nosso público não é mais formadopor homens vestidos em capas de chuva."

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