Filmes 'insensíveis' atraem polêmica e protestos

Por Gregg Kilday LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - Você tem um filme novo alançar? Prepare-se: alguém, em algum lugar, está apenasesperando para fazer um protesto. Nos últimos meses, grupos hindus protestaram contra "O Gurudo Amor", e defensores dos deficientes mentais fizeram objeçõesà maneira como a palavra "retardado" é usada em "TrovãoTropical". Na semana passada, uma filial em Los Angeles do Conselho deRelações Americano-Islâmicas pediu a Warner Bros para mudar otítulo de seu filme ainda inédito "Towelhead" (o títulosignifica "turbante", mas é um termo pejorativo usado comosinônimo de "muçulmano"). Como que para deixar claro até que ponto as sensibilidadesestão aguçadas, o roteirista Mike Scott, escrevendo naquinta-feira no jornal Times-Picayune de Nova Orleans, criticouo lançamento de "Disaster Movie" no terceiro aniversário dapassagem do furacão Katrina. Embora o filme satírico não faça humor envolvendo furacões,Scott considerou "totalmente insensível" a escolha da data deestréia do filme. De qualquer maneira, Nova Orleans tinha algo bem maisconcreto com que se preocupar, com a aproximação de um desastrepotencial real, o furacão Gustav. E a maior parte do públiconão prestou muita atenção a "Disaster Movie" (que no Brasilterá o título "Super-heróis e a Liga da Injustiça") de qualquermaneira: o filme estreou na sétima posição das bilheterias,vendendo apenas 6,9 milhões de dólares em ingressos em seusprimeiros quatro dias em cartaz. Mas o cinema ainda ocupa espaço grande no debate público. Osimples fato de um filme tratar de um tema em particular écapaz de desencadear uma discussão. E, a partir do momento emque um grupo começa a protestar, a mídia se apressa a cobrir a"controvérsia", que, no mínimo, dará às emissoras aoportunidade de transmitir um clipe de filme para animar seusjornais. Muitos na mídia acham que Hollywood, na verdade, apreciaessas polêmicas, segundo o raciocínio "falem mal, mas falem demim". Mas Hollywood, que prefere controlar as mensagens quecria para promover seus filmes, geralmente preferiria que osprotestos desaparecessem sem alarde. Quanto aos grupos que protestam, eles às vezes saem com aimagem arranhada. Foi o caso, por exemplo, dos grupos hindus que se ofenderamcom o decididamente tolo "Guru do Amor": a impressão que ficoué que não tinham senso de humor. E sua causa não foibeneficiada quando Deepak Chopra -- amigo de Mike Myers que fazuma ponta no filme -- manifestou-se em defesa do filme,afirmando que o comediante tem "compreensão profunda dasabedoria, das tradições e da espiritualidade orientais". "Trovão Tropical" foi um caso diferente. O filme, umasátira do processo de fazer cinema, não zomba dos deficientesmentais -- exceto se eles próprios forem atores. Apesar de achar que o uso do termo "retardado" no filme foiinaceitável, a primeira-dama da Califórnia, Maria Shriver,escrevendo no Los Angeles Times, foi quem fez mais sentidoquando, em lugar de simplesmente criticar o filme, aconselhouos pais a conversar com seus filhos sobre o emprego de palavraspejorativas. Em lugar de fazer controvérsia apenas, ela sugeriuque o filme fosse aproveitado como "momento de ensino."

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