Clay Enos/TM & © DC Comics
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Filmes estrelados por mulheres faturam mais nas bilheterias, diz estudo

Mas tê-las nos papéis principais é mais uma exceção do que regra em Hollywood; elas representaram cerca de um quarto dos protagonistas dos principais trabalhos de 2017

Cara Buckley, New York Times

15 de dezembro de 2018 | 03h00

Trolls; As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras; Moana – Um Mar de Aventuras; Divertida Mente; Mulher-Maravilha. Todos esses filmes foram sucessos globais de bilheteria que tiveram mulheres em papéis principais.

Eles também fazem parte de uma tendência mais ampla. De acordo com as descobertas da Creative Artists Agency (CAA) e do shift7, uma empresa criada pela ex-diretora de tecnologia Megan Smith, os principais filmes de 2014 a 2017, estrelados por mulheres, ganharam mais do que filmes masculinos, sejam eles feitos por menos de US$ 10 milhões ou por US$ 100 milhões ou mais.

A pesquisa também descobriu que os filmes que passaram no teste de Bechdel – que avalia a possibilidade de duas personagens femininas conversarem sobre coisas diferentes de um homem – superaram aqueles que o reprovaram.

“A percepção é de que é um bom negócio ter mulheres nos principais papéis”, disse Christy Haubegger, agente da CAA que fazia parte da equipe de pesquisa. “Elas são um ativo em marketing.”

Lançar mulheres em papéis principais é mais uma exceção do que a regra em Hollywood. As mulheres representaram cerca de um quarto dos protagonistas dos principais filmes de 2017 e atuaram em cerca de um terço dos personagens principais, de acordo com pesquisa da San Diego State University.

O novo relatório da CAA, uma das principais agências de talentos, faz parte de um esforço para pressionar Hollywood a colocar mais mulheres de várias etnias na tela e nos bastidores, com os defensores argumentando que uma maior diversidade melhora os resultados financeiros. Em 2017, a agência divulgou um relatório indicando que filmes com elencos multiétnicos tiveram melhor desempenho nos finais de semana de abertura do que aqueles com elencos mais homogêneos. O novo estudo foi criado em conjunto com um grupo de trabalho da Time’s Up, organização que combate o assédio sexual no local de trabalho; o grupo de trabalho tem como objetivo melhorar a representação das mulheres na tela.

A questão agora é saber se a indústria vai levar isso em consideração. O estudo da San Diego State University também descobriu que o número de mulheres protagonistas em papéis com diálogos nos principais filmes caiu em 2017 em relação ao ano anterior. As novas estatísticas da CAA sugerem que os produtores desses filmes podem estar prejudicando seus ganhos.

“Muitas vezes, no nosso setor, há muito preconceito que se disfarça em conhecimento”, disse Haubegger.

O relatório da CAA e do shift7 analisou os principais filmes nas bilheterias globais de 2014 a 2017, usando informações da Gracenote, uma provedora de dados e tecnologia de propriedade da Nielsen. (O período de tempo foi baseado em um banco de dados criado pela CAA para seu estudo de diversidade.) “O ator principal” foi determinado pelo artista listado em primeiro lugar na Gracenote. Isso significa que tanto Star Wars – O Despertar da Força quanto Star Wars – Os Últimos Jedi foram selecionados como filmes liderados por homens: a Gracenote listou Harrison Ford e Mark Hamill como protagonistas de cada um, em vez da atriz britânica Daisy Ridley. As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras foi estrelado por Megan Fox e Trolls, por Anna Kendrick.

A análise foi baseada em 350 filmes com orçamentos relacionados na plataforma Gracenote. Desses, 105 tiveram mulheres como ator principal e 245 homens. Os dados foram subdivididos ainda pelo tamanho do orçamento, em parte porque os filmes feitos com mais de US$ 100 milhões são uma parte fundamental dos negócios de estúdio e os autores do estudo decidiram que precisavam ser considerados por conta própria. (Nessa categoria, havia 75 filmes estrelados por homens e 19 por mulheres.) As outras categorias eram filmes feitos por menos de US$ 10 milhões, US$ 10 milhões a US$ 30 milhões, US$ 30 milhões a US$ 50 milhões e US$ 50 milhões a US$ 100 milhões.

Em cada faixa, o lucro médio dos filmes com mulheres no papel principal superou o de seus pares masculinos. O valor mediano, ou o meio numérico, que muitas vezes é considerado mais estatisticamente significativo porque reduz o impacto de pontos fora da curva, produziu os mesmos resultados, com uma exceção: na categoria de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões, a média para filmes com homens no papel principal foi US$ 104 milhões, e com mulheres, US$ 102 milhões.

O estudo também extraiu informações do Bechdeltest.com, que aplicou o teste em 319 dos filmes analisados no relatório da Creative Artists Agency. Desses, 60% foram aprovados. Os pesquisadores descobriram que nenhum filme entre 2014 e 2017 faturou US$ 1 bilhão sem passar no teste de Bechdel e que nenhum filme faturou US$ 1 bilhão sem passar no teste desde 2012.

Enquanto as mulheres respondem por cerca de metade dos ingressos de cinema vendidos, a agente da CAA Christy Haubegger disse acreditar que o maior sucesso dos filmes estrelados por mulheres e negros pode ser atribuído a uma busca por novos enredos. “Você tem fãs de super-heróis que não viram inovação nesse tipo de filmes em 36 anos”, afirmou ela.

Haubegger também disse que a percepção de que tais filmes são arriscados significa que eles vão enfrentar mais análises rigorosas dos estúdios desde o início. “Acho que eles são menos propensos a apostar em um fracasso e o filme acaba entrando fora de sua divisão”, acrescentou. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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