Filmes e cartazes do grande momento do cinema alemão

Nos anos 1920, a Universum FilmAktiengesellschaft (UFA) tornou-se um dos mais importantesestúdios de cinema do mundo. Hollywood estava começando e, dooutro lado do Atlântico, na Alemanha, consolidara-se o poder daempresa criada em plena 1.ª Guerra e que estabeleceu umverdadeiro império graças ao talento de seus diretores etécnicos. Na UFA trabalhavam grandes diretores que depoisemigraram para os EUA: Ernst Lubitsch, Friedrich Wilhelm Murnau,Fritz Lang e Josef Von Sternberg. E também roteiristas comoBilly Wilder e Carl Mayer, atores como Emil Jannings, Pola Negrie Marlene Dietrich, todos cooptados pelo cinema americano paradesenvolver carreiras em língua inglesa. De hoje até o dia 30, a Sala Cinemateca, em São Paulo,promove um ciclo que vai recuperar os clássicos da UFA, noperíodo compreendido entre 1918 e 1943. Com 15 filmes, serápossível mapear a produção alemã que engloba o expressionismo echega ao cinema de propaganda dos nazistas. A preferência daprogramação é pela produção expressionista, e mesmo o raro filmedo período nazista que será exibido não se caracteriza pormostrar a brutal propaganda anti-semita praticada pelo regime.Junto com a mostra de filmes será realizada uma exposição decartazes desses filmes. Nada mais atraente. O expressionismo, entre todos os movimentos do cinema,foi o que teve, talvez, mais raízes nas artes plásticas. Antesde irromper no cinema, ele surgiu na pintura com Edward Munch,em seu célebre quadro "O Grito", ainda do século 19. A partirdaí, o expressionismo expandiu-se pela literatura e pelo cinema,sempre se opondo ao impressionismo e ao realismo. O objetivo dos expressionistas nunca foi representar arealidade objetiva. Pelo contrário, seus artistas quiseramsempre colocar em quadros, livros e filmes as emoções e reaçõessubjetivas que objetos e eventos lhes suscitavam, com amplorecurso à distorção, ao simbolismo e ao exagero. Se você conhece o manifesto do expressionismo no cinema- "O Gabinete do Dr. Caligari", de 1919 -, sabe que o diretorRobert Wiene, o roteirista Carl Mayer e a dupla de cenógrafosReimasnn e Röhrig valeram-se de deformações plásticas paracolocar na tela o sentimento mórbido que corroía os alemães apósa derrota na guerra. Além da mostra de filmes e da exposição de cartazes, oevento da Cinemateca vai promover uma palestra do professor doPrograma de Pós-Graduação em História da Unesp/Assis, CarlosEduardo Jordão Machado. No dia 25, às 20 horas, ele vai falarjustamente sobre Siegfried Krakauer e a República de Weimar,concentrando-se no período em que o escritor trabalhou comoredator no Frankfurter Zeitung, publicando críticas de cinema etextos que refletem sobre a produção cultural da época. Para abrir a mostra de filmes, esta noite, foi escolhidoo filme de Fritz Lang, de 1928, "Os Espiões". Escrito pelaentão mulher do diretor, Thea Von Harbou, "Os Espiões" foisempre considerado uma obra menor e menos ambiciosa de Lang, queo realizou após o monumental "Metropolis", de 1926. Este foium filme caro, que não se pagou. Lang investiu então emproduções baratas como essa aventura centrada no combate de umagente a banqueiro, dublê de espião, que sonha dominar o mundo. Para muitos críticos, essa obra menor na verdade é umadas maiores de Lang, superior a muitos de seus alegadosclássicos expressionistas. De Lang serão exibidos também as duaspartes de "Os Nibelungos" - "A Morte de Siegfried" e "AVingança de Kriemhild" -, "Dr. Mabuse", "O Jogador" e "AMulher na Lua". O humor de Lubitsch será representado por "Carmem" e"Madame DuBarry" e até o cinema sob o nazismo será lembradopor "Concerto a Pedidos", de Eduard Von Borsody, inspirado noprograma de rádio que, na época, fazia "a ponte entre a Pátriae o front", como se dizia. Mas o top da programação fica porconta de Murnau, "Fausto" e "A Última Gargalhada", cujarecente exibição no Festival de Berlim, no quadro daretrospectiva do diretor, confirmou ser esse um dos maioresfilmes do mundo. Serviço - Clássicos da UFA 1918-1943. Terça, às 19h30,´Os Espiões´/28, de Fritz Lang. Quarta, às 17h30, ´Fausto - UmaLenda Popular Alemã´/25-26, de Friedrich Wilhelm Murnau; quarta,às 19h40, ´Sumurun´/20, de Ernst Lubitsch; quarta, às 21h45,´Carmen´/18, de Ernst Lubitsch. Quinta, às 18h, ´Os Três doPosto de Gasolina´/30, de Wilhelm Thiele; quinta, às 19h50,´Asfalto´/28-29, de Joe May; quinta, às 21h30, ´A ÚltimaGargalhada´/24, de Friedrich Wilhelm Murnau. Sexta, às 17h30,´Dr. Mabuse, o Jogador´/21-22, de Fritz Lang; sexta, às 19h15,´Concerto a Pedidos´/40, de Eduard von Borsody; sexta, às 21h10,´O Congresso se Diverte´/31, de Erik Charell. Sábado, às 16h30,´Münchhausen´/43, de Josef von Baky; sábado, às 18h35, ´OsNibelungos, 1.ª Parte: A Morte de Siegfried´/23-24, de FritzLang; sábado, às 20h45, ´Os Nibelungos, 2.ª Parte: A Vingança deKriemhild´/23-24, de Fritz Lang. Domingo, às 17h35, ´OsEspiões´/28, de Fritz Lang; domingo, às 20h25,´A Mulher na Lua´/29, de Fritz Lang. De terça a domingo. R$ 8,00e R$ 4,00. Sala Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, SãoPaulo, tel. (0xx11) 5084-2177. Até 20/3

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