Filmes do Festival de Sundance em mostra na Galeria Olido

Era uma vez um ator, diretor e produtor tão fascinado pela sétima que resolveu criar um festival para exibir filmes feitos a partir de boas idéias e baixo orçamento. O evento logo seria reconhecido com uma das maiores vitrines do cinema alternativo mundial. Ganha um balde de pipoca, quem imaginar onde o evento acontece: França? Itália? Índia? Brasil? Nenhum deles. É na terra do Oscar e do lobby da grande indústria que Sundance, criado por Robert Redford, apresenta cineastas talentosos. Alguns, mais tarde, chegam a pisar no tapete vermelho e levar para casa a estatueta dourada.São "crias" do Sundance Sophia Coppola, Spike Jonze e Michel Gondry, que já ultrapassaram a linha que separa os circuitos independente e comercial. "É interessante notar que estes diretores, que surgiram no final dos anos 90, obtiveram reconhecimento rapidamente", afirma Alessandra Costa organizadora da mostra Cinema Independente Americano na Galeria Olido, que começa amanhã e vai até o dia 16 de abril, no centro de São Paulo, com sessões gratuitas."Selecionamos produções dos anos 80 (o Sundance surgiu em 1981), da década de 90 e algumas recentes. Gosto de Sangue, a estréia de Joel Cohen, de 1984 vale a pena ser visto", afirma. No elenco, a musa dos irmãos Cohen, Frances McDormand, que trabalhou em cinco outros filmes da dupla. Outros destaques eleitos por Alessandra Costa são: Denise Está Chamando, do canadense Hal Sawen e dois exemplares de Tod Solondz: Bem-Vindo à Casa de Bonecas, de 1995, e Felicidade, de 1997 . "Ele é um cineasta que ainda mantém os mesmos temas e não faz concessões à indústria. Solondz retrata, com humor negro e sarcasmo, personagens que vivem à margem da sociedade. Ele tem uma verdadeira fixação por perdedores", explica.Para os que se renderam à delicadeza de Encontros e Desencontros, com Bill Murray e Scarlett Johansson, confira na programação, o primeiro filme da filha de Frances Ford Coppola: Virgens Suicidas, lançado há seis anos, com Kirsten Dunst. Os fãs de David Bowie e do ator escocês Ewan McGregor poderão assistir a Velvet Goldmine, que traça um panorama do glam rock na Inglaterra. A produção de Todd Haynes, de 1998, levou mais de um ano para chegar ao Brasil por causa de problemas com a distribuição.Outros imperdíveis da mostra, que fizeram bonito no festival independente de Robert Redford antes de indicações e prêmios no Globo de Ouro e Oscar são: Quero Ser John Malkovich (1999) e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004), ambos com roteiro não-linear escrito por Charlie Kauffman.No primeiro, Spike Jonze, que assina a direção da maioria dos clipes dos Beastie Boys, cria um portal para o cérebro do ator americano por onde John Cusack faz uma viagem maluca. Já o filme dirigido por Michel Gondry, é uma das mais emocionantes histórias de amor contadas pelo cinema contemporâneo.Não custa nada, literalmente, ficar ligado na programação da mostra ´Cinema Independente Americano na Galeria Olido´, que reúne qualidade, conteúdo e (por que não?) muita diversão. Cinema Independente Americano na Galeria Olido (Avenida São João, 473, Centro). Sessões às 17 horas e 19h30 (terça a sexta), 17 horas e 19h30 (sábados) e 17h30 (domingos). Informações: (11) 3334-0001 ramal 1941. Entrada gratuita.

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