Mar Filmes
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Filmes de Karim Aïnouz e Luiz Bolognesi são selecionados para o festival de Berlim

Documentários sobre as artistas travestis brasileiras Linn da Quebrada e Luana Muniz também integram a mostra Panorama

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

15 Dezembro 2017 | 11h30

O festival de cinema de Berlim, conhecido como Berlinale, anunciou nesta sexta-feira, 15, os filmes selecionados para a mostra Panorama em 2018, quando o festival, em sua 60ª edição, acontece entre 15 e 25 de fevereiro. Ao todo, três produções brasileiras irão estrar na mostra. 

Com Aeroporto Central (Zentralflughafen THF), o cineasta brasileiro Karim Aïnouz retorna à Berlinale pela primeira vez desde 2014, quando teve dois filmes exibidos no festival, Praia do Futuro e o documentário Catedrais da Cultura, filmado em 3D, que reunia seis diretores. Ambientado na própria Berlim, o filme segue a vida do jovem sírio Ibrahim Al-Hussein, de 18 anos, que mora, durante um ano, no aeroporto Zentralflughafen Tempelhof. Lá, ele fica até descobrir se conseguiria a permissão de residência no país ou se seria deportado.

Outro brasileiro selecionado foi Ex-Pajé, escrito e dirigido por Luiz Bolognesi (Uma História de Amor e Fúria). O documentário mostra o drama atual do conflito religioso interno dos povos indígenas, a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos num grupo isolado na floresta onde se tornou pajé. Após o contato com os homens brancos, os índios ouviram de um pastor evangélico que os atos e saberes do pajé são coisas do Diabo. Apesar de se dizer evangélico e se definir como ex-pajé, Perpera continua tendo visões dos espíritos da floresta.

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O terceiro filme brasileiro selecionado para a mostra Panorama é Bixa Travesty, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, sobre a cantora transexual paulista Linn da Quebrada, que desconstrói os conceitos que os "machos alfa" têm de si mesmos. "O corpo feminino trans se torna uma forma política de expressão nos espaços público e privado", diz a descrição do filme para o festival.

Outra artista transexual brasileira, Luana Muniz, morta em 2017, também é tema de documentário, Obscuro Barroco, este da diretora grega Evangelia Kranioti, numa co-produção com a França. Ícone queer do Rio de Janeiro, Luana viveu em extremos, com conflitos políticos, manifestações artísticas e com a transformação do corpo, que desafiou limites de gênero. A artista, aliás, já foi tema também de outro documentário em 2017, Luana Muniz - Filha da Lua, de Rian Córdova e Leonardo Menezes, que ganhou o prêmio de melhor longa-metragem macional pelo público no 25º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, realizado em novembro em São Paulo. 

Na mostra Panorama, da Berlinale 2018, serão exibidos ainda L'Animale (Áustria), Malambo, el hombre bueno (Argentina), La omisión (Argentina, Holanda e Suíça), Profile (EUA, Reino Unido e Chipre), River's Edge (Japão), That Summer (Suécia, Dinamarca e EUA) e Yocho (Japão). 

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