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Filme 'Um Fim de Semana em Paris' conta com sutileza a história de um casal maduro

Roger Michell acerta o tom em nova parceria com Hanif Kureishi

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2015 | 03h00

Depois de transformar em marco da comédia romântica Um Lugar Chamado Notting Hill, num filme com Julia Roberts e Hugh Grant, o diretor Roger Michell toma o rumo da França e propõe ‘um fim de semana em Paris’. É para onde vão os personagens de Lindsay Duncan e Jim Broadbent. Você sabe quem são. Lindsay talvez faça mais televisão que cinema, mas fez uma das amigas de Diane Lane em Sob o Sol da Toscana. Broadbent integra o elenco de Mike Leigh (Topsy Turvy, Vera Drake) e foi o animador do cabaré de Moulin Rouge, a obra-prima musical de Baz Luhrmann. Fazem Meg e Nick.

Casados há 30 anos, eles voltam a Paris, onde passaram a lua de mel. Procuram o quê? Nem eles sabem. O problema do casal é estar junto há tanto tempo. Sem questionar mais a relação – nem as próprias expectativas –, eles tocam a vida. Estão insatisfeitos. A um sujeito que lhe passa uma cantada, Meg dá conta de sua irritação e infelicidade. A melancolia de Nick é mais profunda. Diz respeito ao seu desgosto consigo mesmo. Nós que nos amávamos tanto. Que reste-t-il de nos amours? O que resta de nossos amores, como Charles Trenet canta em Beijos Proibidos, de François Truffaut?

A escolha de Paris como cenário não é acidental. Tem a ver com as revoltas estudantis dos anos 1960, quando Meg e Nick eram jovens. Tem a ver com o cinema de Jean-Luc Godard, com o qual Roger Michell flerta, não tanto em termos de forma, mas de fundo, mais exatamente – personagens. Há um quê de Band à Part. De novo, o que restou de nossa juventude?

Um Fim de Semana em Paris assinala a terceira parceria do diretor com o escritor Hanif Kureishi, após RecomeçarVênus. Dramaturgo, escritor, roteirista, o autor anglo-paquistanês tem uma sensibilidade toda especial para abordar diferenças. Em geral, elas são raciais, ou se referem ao próprio gênero nas relações sexuais. Stephen Frears adaptou Sammy e Rose (Sammy and Rose Get Laid) e Patrice Chéreau ganhou o Urso de Ouro em Berlim por Intimidade – outra história da crise de um casal, considerada semi autobiográfica do escritor porque o próprio Kureishi a escreveu depois de se separar do companheiro.


Ao contrário dos amores jovens de Um Lugar Chamado Notting Hill, Um Fim de Semana em Paris trata de um casal maduro. Meg e Ryan já têm idade suficiente para assumir seu desencanto, mas não são tão velhos que tenham desistido de viver. Bem escrito e realizado, o filme também é muito bem interpretado. Vai ser difícil que o espectador não se envolva com a dupla de Michell e Kureishi.

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