Filme traz edifício como microcosmo da sociedade egípcia

A olhos ocidentais, viciados em seus costumes, entender as nuances da sociedade árabe sem prejulgar não é fácil. Esta sociedade, mais especificamente a egípcia, é retratada em suas faces mais obscuras pelo diretor egípcio Marwan Hamed, de 29 anos, no filme O Edifício Yacoubian (nesta quarta-feira, às 21h10 no Arteplex 1). O homem egípcio tem mãe, tia, irmã, filha mas não tem amigas - não há na cultura local o costume de relacionar a amizade entre homem e mulher.O Egito é um país em que não se vêem casais andando de mãos dadas nas ruas, pois significa afeto demais em hábitos tão recatados . Mas, em compensação, homens andam de braços dados e são carinhosos com seus amigos. É um país onde não se pode beber uma cerveja no bar da esquina, mas, como em qualquer lugar, é possível comprá-la no supermercado, e pode-se até mesmo encontrar drogas ilícitas. O Egito é um país em que a figura feminina, principalmente a da mãe, é importantíssima e respeitada, mas é também onde uma mulher que se atreve a caminhar na rua sem usar o hijab, o tradicional véu, corre o risco de levar latinhas de refrigerante e pedradas na cabeça e ouvir cantadas grosseiras. Como toda sociedade, a egípcia tem seus encantos e desencantos.É este Egito que Hamed sintetiza em seu filme. Na verdade, o Yacoubian, um dos prédios mais antigos e interessantes do Cairo, é um microcosmo que o diretor usa para tratar de temas tabus em seu país, como sexo, drogas, homossexualismo, tortura, aborto. O filme, o mais caro da história do prolífico cinema egípcio, bateu recordes de público e causou a ira de parlamentares do país, que quiseram censurar cenas em que um respeitado jornalista se relaciona com um soldado. Por estas e outras ousadias, vida longa ao cinema de Hamed. O Edifício Yacoubian (2006, 165 min.) - Unibanco Arteplex 1. Rua Frei Caneca, 569, 3472-2365. Hoje, 21h10

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