Filme sofre com divulgação e sai de cartaz

Por mais importante que seja a atividade da empresa Columbia como principal parceira - entre as maiores dos Estados Unidos - do cinema brasileiro, um filme como O Dobro ou Nada levanta suspeitas sobre essa associação. O filme hispano-argentino de Jayme Chávarri é distribuído pela Columbia internacional. Estreou em São Paulo sem o mínimo de preparação, para ser queimado. Não houve cabine para a imprensa, a distribuidora não tinha fotos nem mesmo uma pasta com informações sobre a produção. Não admira que O Dobro ou Nada saia já nesta quinta-feira de cartaz, ao completar uma semana. Não teve direito à segunda semana porque o público não teve chance de descobri-lo. Quem garante que não é esse o tratamento que a Columbia atribui aos filmes brasileiros que distribui no exterior? Chávarri é um diretor conhecido na Espanha. Pertence à geração de Carlos Saura. Aytana Sanchez-Gijon, que faz a protagonista, é atriz destacada da nova geração espanhola, embora seu maior sucesso - La Camarera del Titanic, de Bigas Luna - seja inédito no País. Aytana integrou o júri do Festival de Cannes deste ano. É bonita e talentosa.O Dobro ou Nada confirma. Pode ser que o tratamento do diretor Chávarri não esteja totalmente à altura do seu material, mas esse é um daqueles filmes que envolvem e encantam pela originalidade da história. É ótima. Começa com uma voz em off. Uma mulher fala de seus dois maridos - Carlos Gardel e um sujeito anônimo, que ninguém conhece o nome. Aytana é essa mulher. Sonha com Gardel, como o homem de sua vida, no escurinho do cinema. Encontra um cantor parecido com ele. Força-o a tornar-se um clone de Gardel e o marido termina morrendo como o rei do tango. Simultaneamente, conta-se a história do próprio Gardel e de como ele sobrevive ao acidente aéreo para assumir o papel do marido de Aytana, numa troca de identidades que serve para que ela descubra o verdadeiro amor somente após havê-lo desperdiçado. Para quem gosta de tango, essa maneira de ser do argentino, é imperdível.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.