Filme sofre boicote de católicos no México

Uma adaptação para o cinema do livro O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, dirigida pelo mexicano Carlos Carrera, vem causando escândalo na comunidade católica do México e está sob ameaça de boicote. Autoridades da igreja e fiéis dizem que o filme ?constitui uma ofensa às crenças religiosas dos católicos e zomba de símbolos sagrados?, segundo um comunicado da igreja mexicana. Com estréia marcada para sexta-feira em 300 salas do México, o filme, que leva o mesmo título do livro português, mostra um padre fazendo sexo com uma mulher debaixo de um manto da Virgem Maria e um homem dando uma hóstia para um gato comer, entre outras cenas polêmicas. O Crime do Padre Amaro, na versão de Carlos Carrera, conta a história de três religiosos: um deles quebra seu voto de celibato, outro recebe ajuda do narcotráfico para construir um hospital e o terceiro é simpatizante da guerrilha. A fita é estrelada por Gael García Bernal, que atuou em Amores Brutos. Grupos católicos planejam boicotar a estréia do filme. Parte do governo uniu-se aos religiosos no protesto contra o filme. O presidente do senado mexicano, Diego Fernández de Cevallos, que é do partido do governo, disse que é preciso distinguir ?entre um mundo de liberdades e outro de porcarias?. Porém, organismos do próprio governo, como o Conselho Nacional para a Cultura e as Artes e o Instituto Mexicano de Cinema investiram cerca de US$ 350 mil na produção do filme. O grupo antiaborto Provida denunciou na Justiça os diretores de ambas as instituições, e outras autoridades federais, por usar dinheiro público na produção de O Crime do Padre Amaro.

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