Filme sobre trajetória de Lula é rodado em SP

'Lula, o Filho do Brasil', de Bruno Barreto reconstitui mais da metade da vida do presidente da República

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo,

29 de janeiro de 2009 | 18h08

Lula retornou na quarta, 28, ao célebre estádio da Vila Euclides - arena que o aclamou líder metalúrgico -, interpretado por Rui Ricardo Dias, ator, mineiro de Santa Maria do Suaçuí. O ator Rui Ricardo Dias grava cena de Lula, no estádio da Vila Euclides, em 1978; filme estréia em 2010 Foro: Valéria Gonçalvez/AE     Rui faz o papel principal do filme Lula, o Filho do Brasil, produção orçada em R$ 12,5 milhões que reconstitui mais da metade da vida do presidente da República, desde a infância dramática no sertão de Pernambuco até a campanha grevista do ABC que o jogou nos porões do Dops, polícia política dos anos 70.   Aos 30 anos de idade, 33 mais novo que Lula, Rui guarda alguma semelhança com o personagem que encarna - na voz, nos gestos e até na silhueta. Ele engordou 8 quilos desde o início de dezembro, quando o cineasta Fábio Barreto o elegeu para a missão.   Os cuidados com o figurino são muitos. As roupas que ele veste, iguais à que Lula usava - calça cáqui, camisa azul com o maço de cigarros no bolso esquerdo, blusão bege.   Cobre o rosto do ator uma barba espessa e de fios escuros, como era a barba de Lula, e reforçada por um bigode postiço que a caracterizadora Ana Van Steen providenciou. Ele mantém o dedo mínimo da mão esquerda puxado para trás e preso por uma fita de esparadrapo.   Lula, o Filho do Brasil é uma biografia baseada no livro homônimo da jornalista Denise Paraná. "A história é uma superação das perdas", revela Barreto. "Meu trabalho é o de humanizar o mito vivo que é o Lula, só não vamos entrar na fase política."   Lula, o próprio, não participa do enredo.   O roteiro começa com Aristides, pai de Lula, indo embora de casa, em 1945. O capítulo derradeiro é a morte da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, dona Lindu, em 1980 - Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, estava preso. O PT não existia.   Nos arredores do centro de São Bernardo do Campo, Vila Euclides - oficialmente Estádio 1.º de Maio - é um marco na trajetória de Lula. Aqui ele fez comícios acalorados para multidões e tinha dia que eram 80 mil os seus seguidores. Desafiou os generais que governavam o País e o poderio das montadoras.   Às 10h10 da manhã, o gramado do campo de futebol, encharcado e enlameado, estava tomado por um agitado set de filmagem e por 600 figurantes. "Vale a pena, é o que a gente gosta de fazer", disse Welington Pingo, diretor de produção do projeto.   Claudia Castro, a loura de boné camuflado, primeira-assistente de direção, dita o ritmo, debaixo de chuva fina: "Ok gente, vamos rodar. Desliguem os celulares. Vamos tirar bonés e gorros. Pessoal, junta aqui um pouco, separa aquele bolo ali. Silêncio, quero concentração, aê, aê. Ok, som, rodando, câmara. Ação!"   Palanque   "Lula, Lula", entoam os operários do filme que está na terceira semana de gravações e chegará às telas em janeiro de 2010. Amparado por anônimos ele sobe na mesa de madeira, seu palanque.   Rui não conhece Lula pessoalmente. Não tinha um ano quando o metalúrgico ocupou Vila Euclides, em 1978. Para bem representar fez "uma imersão na vida do presidente", até curso de torneiro mecânico no Senai da Mooca. "Eu me emociono muito", conta o ator. "Quando me disseram que eu ia fazer o Lula fiquei muito agitado."   Leu, estudou, pesquisou, recorreu a arquivos que narram percalços e triunfos de Lula. Até aprendeu e decorou palavras de ordem. "Companheiros", ele brada, os indicadores para o céu. "Eles pensam que a gente é burro, eles pensam que a gente não lê. Que a gente não se informa." Eles, para quem Lula apontava, eram os empresários de quem exigiam melhores salários e condições de trabalho nos pátios. "Eles não querem dar nada. Querem que a gente trabalhe mais e mais e querem que a gente negocie. Nós vamos negociar é parado."   "Greve, greve", respondem os figurantes, braços erguidos.   "Essa decisão não é a decisão do Lula", retoma o ator. "Não é a decisão do presidente de um sindicato, mas de toda uma classe trabalhadora. Aí fora tá cheio de polícia. É importante não aceitar provocação de jeito nenhum." "Vamos parar juntos", conclama. E puxa o coro que ficou para a história. "Trabalhador unido jamais será vencido."

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