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Filme sobre o Lira Paulistana abre festival de documentários

Quarta edição do In-Edit Brasil - Festival Internacional de Documentário Musical começa nesta quinta, com sessão para convidados, em São Paulo e segue até 10 de junho

Lauro Lisboa Garcia, Especial para o 'Estado'

28 de maio de 2012 | 21h00

De 1979 a 1986, um teatro de arena num porão no bairro de Pinheiros virou o ponto de encontro mais significativo da música e da cultura moderna feita em São Paulo. Alternativos, independentes, vanguardistas, outsiders - qualquer que fosse a expressão que os identificasse, era no Lira Paulistana que se juntavam os artistas mais interessantes. Sua história finalmente chega ao cinema, contada por um de seus mentores, Riba de Castro. 

Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista abre a 4.ª edição do In-Edit Brasil - Festival Internacional de Documentário Musical, quinta-feira no MIS. A sessão de abertura é só para convidados e terá show da Banda Isca de Polícia, um dos ícones daquela geração que fizeram a história do teatro. O filme terá mais duas sessões abertas ao público: sexta, às 17 h, no Cine Olido, e no dia 6 de junho, às 19 h, no Cinesesc.

Até pouco tempo atrás considerada referência da cultura de caráter underground e restrita a São Paulo, o Lira também escreveu parte da história do rock paulistano dos anos 1980 - o que poucos lembram e o filme ressalta agora. Bandas como Titãs (que começaram como Titãs do Iê Iê), Ultraje a Rigor, Cólera e Inocentes deram seus primeiros passos naquele porão e depois viraram sucesso nacional.

Riba de Castro, um dos sócios fundadores do Lira, conta que fez o filme nas mesmas condições precárias com que mantinha a casa, ou seja, com verba do próprio bolso, sem patrocínio nem distribuidora. Sem previsão para entrar em circuito comercial, o documentário deve ser exibido apenas em festivais. 

A história é contada por seus mais importantes protagonistas e agregados frequentadores: os quatro sócios do teatro, que se desmembrou em gravadora e editora; Fernando Meirelles e Marcelo Tas, produtores independentes de vídeo que se tornaram nomes fortes do cinema e da televisão; o jornalista Mauricio Kubrusly, o cartunista Paulo Caruso e, principalmente, gente de música, como Arrigo Barnabé, Lanny Gordin, Cida Moreira, Mario Manga e Wandi Doratiotto (ambos do Premê), Suzana Salles, Roger (Ultraje), Luiz Tatit e Ná Ozzetti (Grupo Rumo) - que se reencontram esta semana em shows em São Paulo -, Nelson Ayres, Skowa, Laert Sarrumor (Língua de Trapo), entre outros.

Só faltou Itamar, que aparece em shows gravados em vídeo. “Tinha pressa em entrevistá-lo porque ele estava doente, mas infelizmente não deu tempo”, lamenta Castro. “Mas consegui juntar muita gente. Ficou meio que uma conversa de bar, porque um começa e o outro continua.” O Lira ganhou tanta credibilidade que, como lembram os artistas, muita gente ia lá até sem saber o que havia na programação: porque era um público aberto a novidades e sabia que se o cantor, músico ou banda estavam ali era porque deviam ser bons. 

Os shows passaram a ficar tão concorridos que artistas como Itamar às vezes faziam duas ou três sessões na mesma noite. Com o crescimento, o Lira passou a promover grandes encontros, ocupando outros espaços, como a Praça Benedito Calixto, o Teatro Bandeirantes e até a Avenida Paulista, num aniversário da cidade. O que hoje é trivial, como a produção de discos independentes e os grafites, que se tornaram famosos no muro ao lado do teatro, foram marcas do pioneirismo do Lira Paulistana. 

O diretor contou com a ajuda de amigos para finalizar o filme, como a produtora O2 e a TV Cultura, que cedeu as imagens de arquivo e vai incluir o documentário na programação. Além do documentário para cinema, Riba escreveu um livro contando a história do Lira. “Era para ter saído com o filme, mas acabou dançando, porque hoje ninguém está bancando esse tipo de publicação em papel. É um livro caro, com formato diferente, com muitas fotos. O custo era quase o mesmo o de finalizar o filme”, diz.

Com 77 títulos, festival recebe Don Letts

O espírito batalhador do Lira Paulistana também baixou no In-Edit. Por falta de patrocínio, o festival teve de ser adiado e será realizado de 1º a 10 de junho em seis salas de São Paulo, e de 14 a 21 de junho em Salvador. São 77 filmes, entre eles 12 nacionais. Don Letts, o DJ inglês de origem jamaicana que registrou o nascimento do punk em Londres, é o grande convidado e homenageado com quatro títulos na mostra, incluindo o mais recente, Rock’n’Roll Exposed - The Photography of Bob Gruen

Grandes nomes do pop, do rock e do jazz, como George Harrison, David Bowie, Iggy Pop, Lou Reed, George Martin, Michel Petrucciani, Dave Brubeck, Ozzy Osborne, Ray Davies, Queen e Serge Gainsbourg são contemplados em diversas produções. Marcelo Andrade, curador do festival, diz que esta foi a edição “mais acidentada”, pela questão do patrocínio, mas a produção brasileira se mantém forte. “A quantidade de filmes que recebemos para selecionar foi um pouco maior do que a do ano passado, mas o nível subiu muito.”

Destaques:

Eu Vou Rifar Meu Coração

Ana Rieper aborda o universo da música brega dando voz aos artistas e ao seu público, com histórias reais de amor e desilusões. Dia 5 no MIS e dia 6 no Cine Olido.

Fernando Faro

Produtor é convidado da homenagem do festival no domingo, quando será exibida montagem de momentos históricos de seus programas na televisão, realizada por Oscar Rodrigues Alves.

4º IN-EDIT BRASIL

Festival Internacional do Documentário Musical. De 1º a 10 de junho. Mais informações no site www.in-edit-brasil.com

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