Filme sobre o cerco de Jenin é liberado em Israel

A Corte Suprema de Israel suspendeu hoje o veto contra um filme do cineasta árabe-israelense Mohammed Bakri. Jenin, Jenin, que mostra uma investida do exército israelense na Cisjordânia, havia sido proibido sob a acusação de fazer propaganda e falsear uma operação militar no campo de Jenin, em abril de 2002, que durou oito dias, com um saldo de 23 soldados israelenses e 52 palestinos mortos. Mas a Corte Suprema, por votação unânime, decidiu que a censura feria a liberdade de expressão "além do necessário" e que "o fato de o filme conter mentiras não é o suficiente para bani-lo". O filme teve apenas três sessões em Israel antes de ser proibido. Deve voltar ao cartaz em 8 de dezembro.A ocupação de Jenin é um dos episódios mais polêmicos - e sangrentos - entre as recentes investidas de Israel nos territórios ocupados. A Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos acusaram o governo de usar palestinos como escudos humanos e de impedir que equipes de resgate entrassem no campo para socorrer feridos. Oficiais palestinos chegaram a se referir ao episódio como "massacre", e depois retiraram o termo.Bakri comentou que decisão da Corte permitirá que o filme cumpra seu objetivo, que é o de mostrar a israelenses o lado palestino do conflito e "ajudar a pôr fim à ocupação (israelense) e promover a paz". Parentes dos soldados mortos no cerco a Jenin disseram que sentença desonra sua memória. Cinco militares envolvidos na operação entraram com ação contra o diretor por uso de imagem sem autorização.

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