Filme sobre morte de civis no Iraque mostra 2 lados da história

O filme "Battle for Haditha" (abatalha por Haditha) retrata um dos episódios mais dramáticosda guerra no Iraque -- o assassinato de 24 civis iraquianos porfuzileiros dos EUA, mas o ex-fuzileiro Elliot Ruiz, um dosmembros do elenco, afirma que a produção não mancha o nome dacorporação. "Não vamos perseguir aqueles fuzileiros. Esse filme nãoculpa aqueles fuzileiros pelo que aconteceu. Não se trata, emverdade, de colocar a culpa em alguém", afirmou Ruiz à Reuters,em uma entrevista concedida antes do lançamento do filme, naquarta-feira, em Nova York. "Trata-se de apresentar a situação e de permitir que aplatéia decida sobre quem é o responsável." O filme baseia-se nos fatos reais ocorridos em novembro de2005, em Haditha, cidade localizada a oeste de Bagdá. Um comboio de marines norte-americanos viu-se atingido poruma bomba plantada ao lado de uma estrada. O artefato matou umoficial popular entre os soldados e, pouco depois, 24 civisiraquianos foram assassinados a tiros. Oito fuzileiros foram indiciados pelo caso, mas cinco delesacabaram se livrando dos indiciamentos. Três, entre os quais osuposto líder da ação, sargento Frank Wuterich, ainda estãosendo julgados por uma corte marcial. Segundo testemunhas iraquianas, os fuzileiros, enfurecidos,massacraram os civis desarmados após o cabo Miguel "TJ"Terrazas ter sido morto pela bomba. Os advogados de defesaafirmam que os civis morreram durante uma violenta batalhaocorrida dentro e nos arredores de Haditha. Ruiz disse ter conversado com seus companheiros antes deaceitar o convite para atuar no filme. "Eu não queriaparticipar de nada que prejudicasse a imagem do Corpo deFuzileiros", afirmou. O diretor do filme, o britânico Nick Broomfield, dissehaver mudado de opinião sobre os envolvidos após ter ouvido emprimeira mão o relato de jovens norte-americanos de origemhumilde que se alistaram pouco depois de completado o ensinomédio e que nunca receberam apoio ou auxílio psicológico aovivenciarem experiências traumatizantes de combate. Os dois insurgentes iraquianos responsáveis por plantar abomba que detona o incidente também são apresentados de umaforma positiva, algo que pode surpreender as platéiasnorte-americanas. "É preciso compreender a origem deles. E o ponto de vistadeles ainda não foi apresentado de nenhuma maneira nos meios decomunicação daqui (dos EUA)", afirmou Broomfield, que disse terse reunido com insurgentes iraquianos na Jordânia, local dasfilmagens, a fim de ouvir o lado deles da história. Na "Batalha por Haditha", um dos insurgentes é umex-oficial do Exército iraquiano tomado pelo patriotismo e pelafrustração após os EUA terem desmobilizado as Forças Armadas doIraque. O filme mostra como o ex-oficial é usado porcombatentes da Al Qaeda que tentam alimentar o sentimento derepulsa aos norte-americanos. "Nos EUA, ninguém conhece de verdade o que se passa com osiraquianos", afirmou Broomfield. "Alguns documentários já feitos são excelentes, mas achoque as platéias norte-americanas precisam ser personagensiraquianos de verdade em filmes de ficção", disse.

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