Filme sobre lésbicas enfurece radicais indianos

Um filme que mostra um caso de amor entre duas garotas está provocando violentos protestos na Índia. A polícia foi chamada hoje para dar proteção às dezenas de cinemas onde Girlfriend, de Karan Razdan, estreou. Nem Mumbai, a meca do cinema indiano, escapou. A antiga Bombaim, onde floresceu a poderosa "Bollywood", foi palco de tensos protestos. Janelas e portas de vidro foram quebradas, e pôsteres do filme, rasgados e queimados. Na cidade sagrada de Varanasi, no norte do país, o vandalismo se repetiu. Hoje, os protestos se estenderam a outras cidades.A agitação é liderada por setores radicais da direita indiana. Os ativistas, em ampla maioria homens e jovens, exigem a proibição de Girlfriend, alegando que o filme, por tratar do lesbianismo, é ofensivo e representa má influência. Entre os militantes, estão fundamentalistas partidários do direitista Shiv Sena. O grupo chegou a emitir um ultimato aos cinemas, e, por fim, assumiu as depredações em Varanasi.A indústria indiana de cinema é uma das mais fortes do planeta. Dá a seus astros o status de celebridades nacionais. Em produção de títulos, consegue superar até a norte-americana. São mais de 800 filmes, movimentando mais de 130 bilhões de rúpias, cerca de US$ 2,8 bilhões. Nos últimos anos, mais diretores têm experimentado temas considerados tabus pelos conservadores, como adultério e homossexualismo. Girlfriend, a bola da vez, traz a história de duas amigas de infância, que protagonizam um triângulo amoroso envolvendo o namorado de uma delas.

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