Fox Film
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Filme sobre Hebe Camargo e aventura espacial com Brad Pitt estão entre as estreias da semana

Veja as estreias de cinema da semana com crítica do 'Estado' e trailers

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2019 | 08h54

Toda semana repete-se a avalanche de novos filmes. Na semana passada, foram 12 estreias, na anterior, outras 12. Nesta quinta, 26, são 13 lançamentos. O melhor de todos é Ad Astra – Rumo às Estrelas, de James Gray, estrelado por um Brad Pitt de presença magnética e interioridade exposta, como nervo à flor da pele. Depois do Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood, Brad é o grande astro, e um grande ator, mas não será nenhuma surpresa se for ignorado pela Academia no ano que vem.

Há um problema no excesso de filmes. O mercado é formatado para filmes grandes, que ganham horários cheios. Os demais espremem-se em horários alternativos. O documentário Torre das Donzelas, de Susanna Lira, entrou na quinta, 19, em duas salas, um horário cada, quase o mesmo – 19h20 e 20h -, o que praticamente não deixa escolha. No domingo à noite, o PlayArte Center estava quase lotado, o público aplaudiu no final, mas o filme segue espremido. Entra um brasileiro candidato a blockbuster – Hebe, A Estrela do Brasil, de Maurício Farias, com Andréa Beltrão poderosa no papel da apresentadora.

O filme seleciona um recorte – a luta de Hebe Camargo contra a censura, durante a ditadura – e vai surpreender por mostrar um outro retrato, pouco conhecido, da estrela. Tudo é inventado, edulcorado, reclamam, alguns críticos. Tudo é documentado, garante a roteirista Carolina Kotscho. E tem mais – Sócrates, de Alexandre Moratto, sobre o garoto negro, pobre e gay da periferia de Santos, um filme maravilhoso que tem dado a volta ao mundo fazendo sucesso em festivais no País e no exterior, e fez bonito sendo premiado no Independent Spirit Award, nos EUA – melhor ator para Christian Malheiros (e ele merece).

O alemão O Menino Que Fazia Rir elege o paradoxo. Fala de perdas para traçar o perfil de um comediante. Palhaços, reza a lenda, no fundo são tristes. Predadores Assassinos é um filme de monstros legal – quem mandou aqueles jacarés se meterem com Kaya Scodelario? Em defesa do pai, ela luta com garra e faz o público se sacudire na poltrona.

Veja as estreias com semana com comentários

Ad Astra – Rumo às Estrelas

(EUA, 2019.) Dir. de James Gray, com Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland, Ruth Negga, Liv Tyler.

Você já pode anotar que este será um dos grandes filmes do ano, independentemente de ser indicado para o Oscar, ou não. O astronauta Brad Pitt embarca numa jornada até Saturno em busca do pai (Tommy Lee Jones), que pode estar por trás de tempestades magnéticas que estão assolando a Terra. Depois de A Cidade Perdida de Z, também sobre pai e filho, o diretor Gray embarca numa aventura épica e intimista que, de alguma forma, toma emprestados elementos de dois grandes filmes – Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, e 2001 - Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Magnífico.

Abominável

(EUA, 2019.) Dir. de Jill Culton e Todd Wilderman.

Garota encontra um Yeti, abominável homem das neves, no telhado do prédio em que mora, em Changai, e embarca com amigos numa aventura para devolvê-lo a seu habitat, no cume nevado do Everest. Animação.

Ambiente Familiar

(Brasil, 2018.) Dir. de Torquato Joel, com Marcélia Cartaxo, Zezita Matos, Beto Quirino, Challena Barros.

O primeiro longa de um diretor com experiência – 11 títulos – no curta. Aborda os novos arranjos familiares por meio da história de três amigos que, sem vínculo sexual nem laços de sangue, formam uma família afetiva para superar traumas passados e fortalecer-se para experiências futuras. Rodado na Paraíba, em João Pessoa e arredores, beneficia-se da presença de Marcélia A Hora da Estrela Cartaxo, que venceu no mês passado o prêmio de melhor atriz na competição brasileira de Gramado por Pacarrete.

Caminhos Magnéticos

Portugal, 2018. Dir. de Edgar Pêra, com Dominique Pinon, Alba Baptista, Neri Matogrosso, Paulo Pires, Albano Jerônimo.

O nome do diretor português Edgar Pêra virou sinônimo de delírio cênico. Seu tema é o medo contemporâneo, mas não no registro do cinemas de gênero, do terror, por exemplo. Pêra aborda a insegurança do homem moderno – e, se você perder o emprego (e o amor), se for atacado na rua, se sua filha se casar com um sujeito tão desprezível quanto (sim!) Donald Trump? Para dar conta de tanta coisa ruim, o cineasta não acredita na ferramenta o realismo e constrói uma irrealidade – artificial, exagerada, circense.Não é para todos os gostos, mas tem seu mérito.

Carta para Além dos Muros

(Brasil, 2019.) Direção de André Canto.

O vírus HIV e a aids no imaginário dos brasileiros. O diretor entrevista figuras públicas como Dráuzio Varella, Marina Person e José Serra, e também pacientes soropositivos para debater políticas públicas e como é (con)viver com o vírus.

Filhas do Sol

(França, 2018.) Dir. de Eva Husson, com Golfishteh Farahani, Emmanuelle Bercot, Zubeyde Bulut, Maia Shamoevi.

Jornalista francesa acompanha pelotão de mulheres curdas durante a guerra. A diretora tenta dar conta do empoderamento feminino numa atividade tradicionalmente masculina, como ser soldado na guerra. A história – real – é centrada no cerco à cidade de Gordyene, onde a líder do grupo, Bahar/Golfishteh, foi feita prisioneira no passado. A história de superação não foi muito bem recebida ao integrar a seleção oficial de Cannes, no ano passado.

Foro Íntimo

(Brasil, 2017.) Dir. de Ricardo Mehedff, com Gustavo Werneck, Léo Quintão, Jefferson da Fonseca, Bia França, Alexandre Cioletti.

Juiz ameaçado por criminosos não pode sair do fórum, onde está seguro. O diretor aproveita para mostrar o que o levou a isso, e o fórum vira foro íntimo. Com o Judiciário sob fogo cruzado no País, o filme ganha atualidade. Ganhará também relevância?

Hebe – A Estrela do Brasil

(Brasil, 2019.) Dir. de Maurício Farias, com Andréa Beltrão, Marco Ricca, Stella Miranda, Gabriel Leone, Daniel Boaventura.

Não é acurado dizer que o longa com roteiro de Carolina Kotscho deixa de lado a vida da apresentadora Hebe Camargo para focar num momento específico, e decisivo – a luta dela contra a censura do regime militar. Hebe realmente luta, mas o filme dá conta de muita coisa – o abuso do marido, a defesa de homossexuais (e a dificuldade de se comunicar com o filho gay), os problemas com emissoras, etc. Sem ser parecida com a personagem, Andréa Beltrão a encarna divinamente. Em Gramado, onde o filme venceu melhor montagem, muitos críticos reclamaram do que, para eles, era a edulcoração da personagem. Hebe era malufista, teve muitas atitudes polêmicas, mas Carol Kotscho garante – ela tomou liberdades dramatúrgicas, mas nada do que a apresentadora diz ou faz no filme é inventado. É tudo documentado. Talvez seja o caso de dizer, como Paolo Sorrentino em sua ficção sobre Silvio Berlusconi na recente 8 ½ Festa do Cinema Italiano –, tudo é inventado, tudo é documentado. O filme é candidato a blockbuster e possui muitas qualidades – a maior delas é Andréa -, mas, nesse momento de conservadorismo, suas liberdades correm o risco de parecer provocações.

O Menino Que Fazia Rir

(Alemanha, 2018.) Dir. de Caroline Link, com Julius Weckauff, Luise Eller, Joachim Krol, Maren Kroymann.

A história de Hape Harkeling, considerado o maior comediante alemão e como ele descobriu sua vocação ainda menino, em pleno ambiente familiar. O mais incrível é que Hape descobriu que conseguia fazer todo mundo rir enquanto chorava graves perdas familiares. É o legítimo rir para não chorar. O menino Julius Weckauff é ótimo e a cena final, sem risco de spoiler, é belíssima.

Meu Amor por Grace

(EUA, 2018.) Dir. de David L. Cunningham, com Jim Caviezel, Matt Dillon, Ryan Potter.

No Havaí racista dos anos 1920, médico branco adota menino mestiço, que vai crescer e desafiar convenções por amor a garota branca, filha do dono de plantações de café. A fábulas de amor e preconceito ganhou elogios da crítica, que destacou a leveza com que o diretor aborda temas que são pesados.

Predadores Assassinos

(EUA, 2019.) Dir. De Alexandra Aja, com Kaya Scodelario, Barry Pepper.

Garota treinada pelo pai para ser a melhor na piscinas tem de nadar pela vida quando tempestade, seguida de inundação, provoca o surgimento de jacarés na casa em que estão isolados, na Flórida. Parece um filme de monstros bem banal, mas você vai ver que é surpreendentemente bom. Sam Raimi, das séries Noite Alucinante e Homem-Aranha, produz e o francês Aja, especialista de terror, sabe o que está fazendo.

Pyewacket – Entidade Maligna

(EUA, 2017.) Dir. de Adam MacDonald, com Nicole Muñoz, Laurie Holden, Chloe Rose.

A floresta como espaço de terror. Mãe e filha isolam-se depois que morre o marido e pai. A mãe não suporta a filha e a garota realiza ritual satânico para que ela morra. Arrepende-se e começa a culpa – o tempo todo a jovem acha que vai ocorrer alguma coisa. E, claro, acontece – o quê? O diretor compensa com a criação de clima a falta de originalidade da trama. O desfecho, quando chega, parece bem óbvio. Então, é isso?

Sócrates

(Brasil, 2018.) Dir. de Alexandre Moratto, com Christian Malheiros, e Tales Ordakji.

Garoto negro, pobre e gay da periferia de Santos, rejeitado pelo pai, tenta conseguir dinheiro para enterrar a mãe. Surgido nas Oficinas Querô, um projeto de integração de jovens santistas carentes pela via do audiovisual, o filme é fortíssimo e merecidamente tem colecionado prêmios – Festival do Rio, Mostra de São Paulo, o Independent Spirit Award (EUA), Festival de Miami, etc. Christian Malheiros é excepcional e o mesmo pode-se dizer de Tales Ordakji.

 

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