Filme sobre episódio histórico na Argélia gera protestos em Cannes

Veteranos de guerra e militantes de direita franceses acusam película de distorcer eventos.

BBC Brasil, BBC

21 de maio de 2010 | 15h57

Manifestantes ligados a grupos de direita franceses protestaram nesta sexta-feira contra a exibição, no Festival de Cannes, de um filme que aborda um episódio histórico relacionado ao início do processo de independência da Argélia.

De acordo com o jornal francês Le Monde, cerca de 1,2 mil pessoas participaram da manifestação contra o filme Hors La Loi ("Fora da Lei", em tradução livre) que aborda conflitos entre franceses e argelinos que deixaram milhares de mortos na cidade de Sétif, na Argélia, em 1945.

O episódio é considerado precursor da guerra de independência da Argélia (1954-1962), então sob controle da França. O conflito ainda causa controvérsias nos dois países.

Segundo os manifestantes, o filme dirigido pelo cineasta franco-argelino Rachid Bouchareb traria distorções sobre o episódio histórico em que cerca de cem franceses e milhares de argelinos foram mortos.

Eles acusam a produção de ser tendenciosa em favor do lado argelino do conflito.

Controvérsia

Membros de partidos de direita e grupos de veteranos da guerra na Argélia compareceram ao protesto, que foi convocado como "uma homenagem às vítimas francesas" do conflito.

Por meio de um comunicado, Lionnel Luca, deputado do UMP - mesmo partido do presidente Nicolas Sarkozy - afirmou que o filme é "um insulto".

Luca também classificou a película como uma "falsificação histórica", que mostraria o Exército e a polícia da França como "criminosos de guerra".

Durante uma entrevista coletiva nesta sexta-feira, o diretor Rachid Bouchareb afirmou estar "surpreso" com as reações.

"O filme tem o objetivo de abrir um debate, com serenidade. Eu sabia que o passado colonial ainda era muito tenso, mas levantar tal tensão em torno do filme me surpreende", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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