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Filme sobre Cora Coralina abre o Festival Melhores Filmes em São Paulo

Tradição paulistana, evento no Cinesesc ainda resgata três clássicos restaurados: O Crepúsculo dos Deuses, Lawrence da Arábia e O Poderoso Chefão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2017 | 13h49

Há um mistério, mas talvez não seja mistério nenhum – Cora Coralina atrai tanto o público que tudo o que diz respeito a ela rende cliques e mais cliques no online. Portanto, você que já está fisgado, fique sabendo que Cora Coralina – Todas as Vidas, o filme que a ela dedicou Renato Barbieri, abre na noite desta quarta-feira, 5, no Cinesesc, o Festival Melhores Filmes. É parte da tradição paulistana. Todo ano, o Cinesesc convoca os críticos e o público para votarem nos melhores filmes brasileiros e nos melhores estrangeiros, e depois apresenta um festival com os escolhidos. Os nacionais ganham prêmio e tudo.

Renato Barbieri surgiu na produtora Olhar Eletrônico. Com a cumplicidade de mulheres admiráveis – as atrizes Walderez de Barros e Camila Márdila –, ele mistura documentário e ficção em torno à vida e à obra dessa figura rara que foi Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Ela foi doceira toda a vida e só aos 75 anos publicou o primeiro livro. Ganhou projeção já velhinha, e a Olhar Eletrônico documentou-a, nos anos 1980.

Não é que a produção de Cora seja ‘doce’, mas tudo o que ela escrevia – nasceu e morreu em Goiás, em 1985, passada dos 80 –, suas frases, seus textos, pensamentos, poesias, pareciam muito verdadeiros, embasados na sua riquíssima experiência de vida. O filme busca passar isso, e consegue. Barbieri, que escreveu o roteiro, se baseou no autobiográfico Vintém de Cobre – As Meias Confissões de Aninha. O filme está apontado para estrear em 25 de maio. Além dos vencedores da crítica e do público, o Festival Melhores Filmes deste ano resgata três clássicos restaurados. O Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder. Lawrence da Arábia, de David Lean. O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola.

E sim, para terminar, o poeminha amoroso de Cora –

Este é um poema de amor

tão meigo, tão terno, tão teu…

É uma oferenda aos teus momentos

de luta e de brisa e de céu…

E eu,

quero te servir a poesia

numa concha azul do mar

ou numa cesta de flores do campo.

 

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