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Filme recupera trajetória da mítica Amy Winehouse

Diretor Asif Kapadia e o compositor Antônio Pinto retomam parceria no projeto que apresenta uma montagem criteriosa da jovem artista

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 22h50

Numa entrevista por telefone, de Londres, o diretor Asif Kapadia contou para o repórter que Amy não nasceu como um projeto dele. “Foi meu produtor no filme sobre Ayrton Senna quem me propôs esse outro documentário. A parceria havia sido muito boa, estávamos contentes um com o outro. Só que, a partir do momento em que aceitei, o projeto passou a ser meu. É como trabalho, com comprometimento intenso e total.” Debruçando-se sobre a figura mítica de Amy Winehouse, Kapadia admite que não sabia direito por onde começar. E aí, por meio do primeiro empresário da artista, ele teve acesso a um material raro que Nick Shymansky vinha guardando de olhos indiscretos.

Diferentes fases da vida de Amy documentadas por amigos e por ela mesma desenharam para Kapadia o perfil da jovem talentosa cuja vida, à medida que ascendia na carreira, começou a sair dos trilhos. O resultado exigiu aquela montagem criteriosa e lenta que o diretor gosta de fazer. Mas compensa – Amy, ou o retrato da artista quando jovem (morreu aos 27 anos), revela uma figura dilacerada. Ela não cantava daquele jeito por acaso.

Amy, o filme, vem ganhando admiradores desde que passou, fora de concurso, no Festival de Cannes, em maio. O filme também teve sessões no In-Edit, Festival do Documentário Musical, e passa neste sábado, 26, no Cinemark. Como em Senna, Kapadia usa entrevistas sem mostrar os entrevistados. E, na parte final, depois de fazer o retrato íntimo da mulher, ele mostra como era vista a estrela. Essa Amy que se autodestrói é vista pelos olhos dos papparazzi que a caçavam, e ela certamente não estava preparada para aquilo.

Em seu estúdio em Higienópolis, o compositor Antônio Pinto conta para o repórter – “Não tive nada a ver com a seleção musical do filme. Nem palpitei. Mas toda a parte final é puro Antônio Pinto”. Irmão da diretora e cenógrafa Daniela Thomas, ele foi o compositor de Walter Salles durante uma fase da trajetória do cineasta brasileiro. O trabalho com Salles e Fernando Meirelles (Cidade de Deus) deu-lhe projeção internacional, e Pinto fez a trilha de Colateral, grande filme de Michael Mann com o astro Tom Cruise. A carreira de sucesso em Hollywood entrou em parafuso com a crise de 2009. Pinto renasceu com Asif Kapadia.

“Fiz para ele a trilha de Senna e as coisas voltaram a acontecer.” Pinto lembra-se do que lhe disse Kapadia – “Parte do material de arquivo que estava usando no filme não tinha uma grande qualidade técnica e ele precisava do som e da música para que o público emergisse nas imagens. Deu-me carta branca. Foi uma experiência estimulante.” No caso de Amy, a música tinha de preparar o público para o inferno. “A Amy era uma menina normal que virou Madonna e foi tragada pela vertigem do sucesso. Entro para ser o som desse inferno na vida da Amy.”

Multi-instrumentista, Antônio Pinto tem uma queda pelos solos de piano, como os que criou para sublinhar a ligação de Fernanda Montenegro e do garoto Vinicius Oliveira em Central do Brasil (de Salles). Naquela fase da vida e da arte, ele era muito influenciado por Philip Glass. Lembra que tinha 17 anos quando viu um show do compositor e ficou vidrado. “Descobri minha vocação.” Depois, ele minimizou o piano para valorizar outros instrumentos. Está retomando o piano “sem pudor’. Pinto tem várias trilhas a caminho – no estrangeiro, as de McFarland dos EUA, com Kevin Costner, e Self/Less, com Ryan Reynolds. No Brasil, a do policial Operações Especiais, de Thomas Portella, com Cléo Pires, que estreia dia 15. E só lamenta que Trash, de Stephen Daldry, para o qual também criou a trilha, tenha sido praticamente ignorado no Brasil. “Um filme tão sensível, tão bonito.” Pinto espera que a estreia norte-americano corrija o que, para ele, “é uma injustiça”.

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