Filme que escandalizou Igreja no México é sucesso

O filme O Crime do Padre Amaro, baseado em Eça de Queirós, levou 863 mil pessoas ao cinema no México no fim de semana de sua estréia, e quebrou o recorde de arrecadação em estréias de filmes mexicanos. O filme do diretor Carlos Carrera foi ameaçado de boicote por grupos católicos do país. Autoridades da Igreja viram no filme uma ofensa aos símbolos religiosos cristãos. A bilheteria ficou em 31 milhões de pesos (cerca de US$ 3,1 milhões), superior à previsão inicial da Columbia Tristar Pictures, distribuidora do filme, que esperava 20 milhões de pesos na estréia. Com o sucesso do primeiro fim de semana, o filme está entre as seis maiores bilheterias do cinema mexicano. A despeito da pressão exercida pela Igreja contra o filme, 356 salas em todo o México puseram O Crime do Padre Amaro em cartaz. O filme é uma adaptação do romance de Eça de Queirós pelo roteirista Vicente Leñero. Nele, três sacerdotes se envolvem em atividades criminosas ou fora da moral católica. Um deles quebra seu voto de celibato, outro recebe ajuda do narcotráfico para construir um hospital e o terceiro é simpatizante da guerrilha. Entre as cenas que escandalizaram os católicos mexicanos estão uma seqüência de sexo entre um padre e uma jovem debaixo de um manto da Virgem Maria e uma cena em que um homem dá uma hóstia para um gato comer. Segundo o diretor Carlos Carrera, o que poderia estar perturbando os católicos é o fato de que os padres retratados não são redimidos no fim da história.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.