Janek Skarzynski/ AFP
Janek Skarzynski/ AFP

Filme polonês sobre abusos na Igreja supera recorde de espectadores

Sucesso de 'Kler' ultrapassa todos os filmes estrangeiros projetados na Polônia nos últimos 29 anos

EFE

26 Outubro 2018 | 17h15

VARSOVIA, POLÔNIA - O filme Kler (Clero), um controverso longa-metragem que aborda sem complexos os temas de abuso infantil, relacionamentos amorosos, corrupção, ganância e alcoolismo dentro da Igreja Católica polonesa, tornou-se o filme com mais espectadores do século na Polônia.

Quatro semanas depois de sua estreia, mais de 4.330.000 pessoas foram ao cinema para ver a produção polonesa, dirigida pelo também polonês Wojciech Smarzowski.

O filme supera todas as produções estrangeiras projetadas na Polônia nos últimos 29 anos, incluindo sucessos como Avatar, Cinquenta tons de cinza ou Titanic, com uma arrecação superior a 87 milhões de zlotys (cerca de 21 milhões de euros), segundo informou hoje sua distribuidora.

Kler, que estreou no dia 28 de setembro, também foi bem recebido nas telas estrangeiras. 

Nos três primeiros dias de projeção na Irlanda e no Reino Unido, o filme arrecadou mais de um milhão de euros, os números de ingressos mais altos obtidos até o momento por um filme polonês fora de suas fronteiras. 

Baseado em fatos reais, Kler inclui testemunhos de vítimas de abusos sexuais protagonizados por religiosos, e apresenta uma galeria grotesca de personagens que incluem desde um sacerdote alcoólatra até outro que orienta sua amante a abortar, ou uma autoridade católica envolvida em escândalos de corrupção que mantém boas relações com os baixos recursos.

A atividade desses personagens se desenvolve com total impunidade, no contexto de uma sociedade passiva e crédula, retratada como cúmplice dos delitos cometidos.

O longa-metragem foi duramente criticado por organizações ultraconservadoras, que vêem nele um ataque injustificado à Igreja Católica.

O jornal Gazeta Polska, de tendência ultraconservadora, reproduziu o cartaz do filme e substituiu seus protagonistas por imagens de sacerdotes considerados heróis nacionais, como Jerzy Popiełuszko, assassinado pela polícia comunista no anos 80, ou Maximilian Kolbe, que se ofereceu voluntariamente para morrer no lugar de outro preso em Auschwitz.

Este jornal recordava que os sacerdotes católicos são "nosso tesouro na luta contra o nazismo, o comunismo, o movimento LGBT ou os islamitas". 

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