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Filme 'Picasso e o Roubo da Mona Lisa' propõe divertimento inteligente

Longa do espanhol Fernando Colomo mescla imaginação e fatos reais

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2015 | 18h26

O filme se diz uma ficção baseada em fatos reais. Picasso e o Roubo da Mona Lisa, do espanhol Fernando Colomo, põe em cena figuras reais como Pablo Picasso e Guillaume Apollinaire, entre outros, na Paris de 1911, quando vários furtos no Louvre abalam os alicerces da República Francesa.

Deveria acrescentar – é uma farsa cômica, que usa a graça e personagens reais para fazer algumas reflexões a respeito da arte. Em especial acerca da grande arte do século 20, que, com o surgimento do cubismo, iria perturbar corações e mentes mais acomodados. Entre os quais um já consagrado Matisse, que não consegue entender as figuras traçadas pelo então desconhecido pintor espanhol. Picasso esboçava Les Demoiselles d’Avignon, o retrato de prostitutas que colocaria a arte pictórica de cabeça para baixo.

Diluída entre gagues e piadas, corre uma sutil discussão a respeito da obrigatoriedade de a pintura representar o real, camisa de força da qual a arte moderna se livraria. “Não importa o tema”, sustenta o jovem Picasso, “mas a forma”.

Quem interpreta Picasso é Ignacio Mateos e seu grupo de amigos é composto pelo poeta Apollinaire (Pierre Benezit), o pintor Georges Braque (Stanley Weber), o escultor Manolo Hugué (Jordi Vilches) e o escritor Max Jacob (Lionel Abelanski). Há também as mulheres, Fernande (Raphaëlle Agogué), musa de Picasso, e Marie Lauvencin (Louise Monot), além das norte-americanas Gertrude Stein (Cristina Toma) e sua companheira Alice Toklas (Eszter Tompa), ambas em sintonia perfeita com a Paris dos anos loucos.

Essa Paris das primeiras décadas do século 20 era mesmo o centro do mundo, o melhor lugar da Terra. O filme acerta ao retratar o clima febril dos salões, os cafés onde se debatiam política e as novas tendências estéticas, as vernissages nas quais se afrontavam conservadores e rebeldes. Poderíamos pedir um pouco mais de profundidade, sobretudo em se tratando de década tão decisiva. Mas fica clara a intenção de Colomo de fazer apenas um divertimento inteligente. Nesses limites, o filme é puro prazer.

 

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