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Filme 'Piadeiros' viaja em busca da piada bem contada

Diretor Gustavo Rosa de Moura, de 'Cildo',conclui que, quem sabe contar não deixa de ser uma espécie de artista

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2015 | 03h00

Gustavo Rosa de Moura percorreu o Brasil inteiro e Portugal para fazer o documentário mais inusitado da recente safra brasileira. Piadeiros é um filme de estrada sobre a busca por pessoas que contem piadas. O diretor incorpora o próprio processo. Documenta como ele não foi fácil. Poucas mulheres, por timidez ou o que, contam piadas, pelo menos em público. A correção política também pode estar acabando com as piadas racistas ou homofóbicas, mas de novo é uma questão de público e privado. Na intimidade, pessoas admitem que contam piadas que, em público, não cairiam bem.

Moura descartou de cara os piadistas profissionais, vulgo humoristas. Mas entrevistou um em Portugal que levanta questões interessantes. Uma é obviedade. O importante na piada não é ela, em si, mas a forma como é contada. Pode-se rir de uma piada contada por uma pessoa e não achar graça nenhuma na mesma piada contada por outra. E ele diz mais. A mesma piada pode ter diferentes versões. Uma piada de ‘português’, pejorativa como costuma ser, pode ganhar uma versão de ‘brasileiro’. É tudo uma questão de ponto de vista. Os portugueses adoram essas piadas.

Piadeiros é divertido, mesmo que, em certos momentos, a piada, tal como é contada, não renda, ou não renda tanto. João Guimarães Rosa gosta de dizer que a piada é como o fósforo, que, deflagrado, perde o uso. Moura prefere vê-la como uma forma de arte, remetendo à tradição oral. Não por acaso, Moura dirigiu antes outro documentário, Cildo, sobre o artista Cildo Meireles, que é bem engraçado refletindo sobre a própria obra.

 

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