Filme leva às telas vida de lutador transexual

Beautiful Boxer, um filme baseado no famoso lutador transexual de kickboxing Nong Toom, está fazendo sucesso em sua terra natal, a Tailândia. Parinya Charoenphol nasceu numa comunidade nômade pobre e passou grande parte de sua juventude em um mosteiro. Ao perceber que tinha jeito para o kickboxing, ele se tornou um mestre da arte marcial e se tornou um dos mais temidos e controversos boxeadores da Tailândia. Charoenphol, ou Nong Toom como ficou conhecido depois, era um transexual que usava maquiagem no ringue e sonhava em juntar dinheiro para fazer uma operação de troca de sexo."Para mim, Nong Toom é como um paradoxo ambulante", diz Ekachai Uekrongtham, diretor de Beautiful Boxer. "Ela conseguiu dominar algo que é totalmente masculino para ficar totalmente feminina."Nong Toom finalmente conseguiu realizar seu sonho com a cirurgia para troca de sexo em 1999, aos 17 anos.Proibida de retornar aos ringues (as mulheres tailandesas são proibidas de competir profissionalmente no kickboxing), Nong Toom vive hoje em Bangcoc trabalhando como modelo e atriz.Nong Toom teve um papel significativo no processo de redação do roteiro do filme, mas segundo Uekrongtham ela não teve poder de veto sobre a maneira como é retratada no filme. "Eu disse a ela de início que o filme não a colocaria num pedestal", disse ele. "Eu queria capturar a essência de quem ela é."O papel de Nong Toom é vivido por Asanee Suwan, um campeão de kickboxing na vida real, com mais de 200 lutas na Tailândia e na Dinamarca.Suwan passou um ano se preparando para o papel. Ele tomou aulas de representação, movimentos e ballet e também perdeu peso para ficar mais "feminino".Ele também teve que seguir uma dura rotina de cuidados com a pele e com o corpo, incluindo várias esfoliações e sessões de depilação.Além de a história em si ser tocante e incomum, havia outras questões nas quais Uekrongtham queria tocar. "Eu queria fazer algo relacionado aos conceitos sempre em mutação sobre o que significa ser homem e o que significa ser mulher", disse o diretor. "Era uma história impressionante para usar como trampolim para falar sobre esses temas."

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