Filme italiano é Easy Rider europeu

Um italiano, um português e uma francesa, Marco, Victor e Claire, partem de Paris, no 25 de abril de 74, em direção à Lisboa. Cavalgam um 2CV amarelo da Citroën, carro que marcou época. O grupo segue rumo a capital portuguesa para festejar a queda da ditadura salazarista de Marcelo Caetano. Em dado momento, a viagem dos três festivos revolucionários ganha contornos cômicos. Os jovens não chegam a tempo para seu encontro com a revolução dos Cravos. Ao invés de um ritual político, acabam por participar de um desfile dos torcedores do Benfica. Assim é o road-movie Rumo à Revolução em Dois Cavalos (Alla rivoluzione sulla due cavalli), do italiano Maurizio Sciarra, trabalho inspirado em Easy Rider, clássico de Dennis Hopper. Trata-se da adaptação para as telas do homônimo romance de Marco Ferrari. No filme, como no livro, a geração européia dos anos 70, influenciada pela beat generation de Jack Kerouac (On The Road), é posta em foco. A queda da ditadura portuguesa, "uma das mais inúteis da Europa" segundo o diretor, é o cenário em que os dramas dos jovens são desenvolvidos.Um dos destaques do trabalho é a trilha sonora. Rumo à Revolução em Dois Cavalos mistura a trechos de Grandola Vila Morena, cantada por José Afonso e da Internacional, hino dos comunistas e socialistas, canções do antológico conjunto Crosby, Stills, Nash and Young. "Ouvir essas canções era ficar com vontade de partir", relembra o diretor. "A música foi um elemento muito importante dessa geração, o fio condutor que uniu os jovens de todo mundo". Layla, de Eric Clapton, foi liberada pela primeira vez para compor uma trilha sonora, a do filme de Sciarra. A influência de Easy Rider, confirmada pelo diretor, é explícita. Uma das cenas de destaque, o banho nu dos três viajantes à beira da estrada, foi inspirado em semelhante tomada de Hopper.

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