Filme italiano é criticado e causa polêmica em Veneza

Uma forte polêmica envolve o primeiro filme italiano em competição no Festival de Cinema de Veneza. Os Dias do Abandono, de Roberto Faenza, sobre o drama da separação de um casal, criticado por ser trivial demais. O filme, baseado em um romance homônimo da escritora Elena Ferrante, que foi vaiado durante a projeção para a imprensa especializada, conta a clássica história de uma mulher burguesa, bonita, com dois filhos, que é abandonada sem aviso prévio por seu marido, após dez anos de casamento."É um filme presunçoso, com diálogos involuntariamente ridículos. Será um vírus, uma enfermidade do cinema italiano? A pergunta foi feita ao diretor Roberto Pugliese pelo crítico do jornal Il Gazzettino de Venecia. A frase "uma sensação de vazio", com a qual o protagonista Luca Zingaretti, popular ator de televisão, justifica o abandono, sem deixar claro que na realidade a deixava por uma jovenzinha 30 anos mais nova, foi visto pela imprensa como "banal", "um lugar comum", dirigido a um "público de multiplex e pipocas", como escreveu Natalia Aspesi no jornal La Repubblica. As alucinações, a depressão, a raiva, a confusão mental e os desdobramentos da protagonista, a atriz italiana Margarita Buy, vão se diluindo gradualmente até que o personagem encontra um novo amor. "O filme é uma descrição feroz e sutil do que ocorre na mente de uma mulher desesperada", sustenta Buy, que é divorciada na vida real. A reação da crítica desencadeou a ira de Faenza, que acusou "os conhecidos franco-atiradores" que vêm a Veneza todos os anos para atacar a cinematografia nacional. " É puro provincianismo", assegurou Zingaretti, que recordou que no passado foram criticadas e descartadas obras de Federico Fellini e Lucchino Visconti. Ao contrário da crítica, o filme, que foi aplaudido pelo público, compete junto com outros dois filmes italianos: Las Segunda Noche de Boda de Pupi Avati e La Bestia En El Corazón de Cristina Comencini, programados para serem exibidos esta semana. Generosamente recebido pelo público e longamente aplaudido pela crítica foi o filme de animação de Tim Burton Corpse Bride (A noiva cadáver), apresentado fora da competição. Poesia, fantasia e melancolia brotam dos desenhos animados feitos com personagens modelados com forma e voz de atores verdadeiros. Cruzes, candelabros, esqueletos, mesas de bilhar, carne podre, olhos fora da órbita são os elementos do universo "dark" do realizador de Edward, Mãos de Tesouras, Batman, Fábrica de Chocolate. Para este filme, realizado pela primeira vez com câmeras digitais e computador gráfico, trabalharam 22 animadores e se construíram 34 sets em miniatura. Baseado em uma fábula judia russa, o filme narra a história de Viktor, que um dia antes do casamento, enquanto atravessava um bosque, ocorre a ele pronunciar a promessa de casamento colocando o anel em um tronco, que na realidade é o dedo de um cadáver de uma mulher que morreu usando um vestido de noiva. Com esse gesto, Viktor entra na terra dos mortos, que se revela um mundo cheio de cor e mais vital que o dos vivos, uma aventura encantadora.

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