Filme iraniano mostra mulher vítima de mulher

A situação da mulher iraniana inspirou o filme ?Man, Taraneh, Panzdah Sal Daram?, e mostra como as mães têm um papel importante na manutenção de uma sociedade que privilegia os homens. Nesse segundo filme de Rassul Sadr-Ameli, conta-se a difícil situação de uma jovem de 15 anos, deixada grávida pelo noivo, que, em lugar de abortar, decide resistir à pressão social, inclusive da mãe do rapaz, paradoxalmente militante de direitos humanos, que dificulta o reconhecimento da paternidade.Ao escolher como mãe e protetora de um jovem irresponsável e mimado, uma dirigente de organização de defesa dos direitos femininos, o filme quis simplesmente demonstrar de maneira metafórica que, na sociedade iraniana, muçulmana ou outras em geral, são ainda as mães que preservam o statu quo masculino, mesmo quando algumas leis poderiam ajudar a melhorar a situação. Entretanto, embora o véu obrigatório e seu significado continue preservado, as jovens da nova geração começam a dar os primeiros sinais de reação. Taraneh, pobre estudante, vítima de um noivo conquistador, protegido por uma mãe, que, na vida pessoal, esquece dos conceitos de direitos femininos, luta para que sua filha tenha legalmente um pai. Entretanto, obtido esse reconhecimento na Justiça, decide registrá-la com seu nome no cartório, mesmo sabendo que a sociedade iraniana estigmatiza os filhos sem nome do pai, na esperança, talvez, de que sua filha lute por seus direitos no futuro."Meu primeiro filme, diz Rassul Sadr-Ameli, já tratava de uma jovem que, oprimida pela sociedade, foge de casa e tem um destino difícil. Neste filme, quis uma jovem capaz de resistir e resolver seus problemas. A sociedade iraniana tradicional não é compreensiva com as jovens como Taraneh e não perdoa seus erros".

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