Filme inédito de Zé Caixão será exibido hoje em São Paulo

Filmada em película Super 8 em 1980, obra agora restaurada e finalizada, ficou perdida até 2001

Flávia Guerra, do Estadão,

07 de novembro de 2009 | 02h12

Começa hoje em São Paulo uma mostra de filmes que homenageia o cineasta José Mojica Marins, mais conhecido pelo seu personagem Zé do Caixão. Com abertura no Centro Cultural Banco do Brasil e exibições na Cinemateca, a mostra terá mais de 40 filmes (25 destes serão exibidos em cópia película restaurada), fruto do trabalho da Heco Produções em parceria com a Cinemateca e a Labo Cine.   O filme A Praga é a cereja do bolo desta mostra que traz à tona um verdadeiro acervo arqueológico da obra do mestre do terror brasileiro. O longa inédito será exibido nesta sexta-feira na cinemateca, mas tem sessão para o público sábado, às 19 horas, no CCBB; e volta à Cinemateca no dia 17, à meia-noite.   A Praga é mais um dos casos fantásticos que permeiam a vida de Mojica. Filmado em película Super 8 em 1980, ficou perdido até 2001, quando o cineasta e curador da mostra Eugênio Puppo, da Heco, que então organizava a Mostra Cinema Marginal, descobriu que a obra ainda existia.   "Mojica me mostrou o que restava do filme, que nunca tinha sido finalizado. E encontramos uns pedaços em sacos de lixo. Ele tinha filmado sem som direto. Estava tudo incompleto, faltando negativos", conta Puppo, que decidiu arregaçar as mangas e, num trabalho de arqueologia do cinema, buscar os negativos, filmar cenas que faltavam e recuperar os diálogos, já que o roteiro 'no papel' tão pouco existia. "Chamamos uma deficiente auditiva para fazer a leitura labial do filme. Depois, atores dublaram as vozes dos protagonistas", conta Puppo.   O trabalho de Puppo e equipe é de ourives. Além de restaurar, filmaram em Super 8 cenas complementares ao original, cuidaram da telecinagem, mixagem de som, entre tantas outras benfeitorias para, finalmente, contar a história de um casal que tira distraidamente fotos do jardim da casa de uma velha senhora sem saber que ela é, na verdade, uma bruxa. Como em toda boa trama de Zé do Caixão, a bruxa roga uma praga sobre Juvenal, que nunca mais consegue dormir em paz e adquire uma estranha doença. Um verdadeiro Frankenstein cinematográfico. A cópia exibida na mostra ainda não é a final. O filme será passado para a cópia em película e deve estrear em 2008.

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