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Filme inédito de Eduardo Coutinho abre programação do É Tudo Verdade

'Últimas Conversas' é filme de conversas com adolescentes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 11h32

Foi uma bela história de amor, e nem poderia ter sido diferente. O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade e Eduardo Coutinho viveram histórias cruzadas. O maior evento do gênero no Brasil, na América Latina, um dos maiores do mundo, e o grande documentarista brasileiro, para muitos críticos, o maior de todos. Coutinho morreu no ano passado, assassinado pelo próprio filho, uma verdadeira tragédia familiar. Deixou inacabado o que virou seu último filme - Últimas Conversas. O próprio Coutinho não parecia muito seguro do que estava fazendo. Um filme feito de conversas com adolescentes. O carinho e dedicação de sua montadora, Jordana Berg, e do amigo João Moreira Salles garantiu que o filme fosse finalizado.

João e Jordana acrescentaram um prólogo do próprio Coutinho, e um epílogo, sua última fala. No começo, ele vacila. No desfecho, redescobre o que seria sua via - um momento singular, emocionante. Uma promessa que a fatalidade impediu que fosse cumprida. Últimas Conversas estreia em 7 de maio, mas inaugura a nova edição do É Tudo Verdade. Tinha de ser Coutinho. Ele está inteiro ali dentro. Seu método. E também o amigo, o mestre. São 20 anos de É Tudo Verdade - duas décadas inteiras em que o Festival Internacional de Documentários de Amir Labaki cresceu e adquiriu prestígio como o próprio gênero que privilegia. Documentários sempre houveram, desde que os irmãos Lumière documentaram a saída da fábrica, mas a proliferação foi grande com as novas tecnologias.O próprio mercado tornou-se mais receptivo. Viva o documentário! Em seus 20 anos, o É Tudo Verdade celebra os 80 de um grande documentarista brasileiro - Vladimir Carvalho - e o centenário de Orson Welles. Embora reputado por suas obras de ficção - Cidadão Kane é considerado um dos melhores (o melhor?) filme de todos os tempos -, o inacabado It's All True dá nome ao festival. Não é pouca coisa.

Cerca de 1.300 títulos inscreveram-se para a seleção. A programação que começa hoje contempla 106 filmes de 31 países - 18 em pré-estreia mundial. Diversos diretores brasileiros e internacionais voltam às competições, mas o próprio Amir Labaki destaca o inédito, o mais importante - cinco documentaristas latinos competem na mostra internacional. "É a prova definitiva da consolidação do prestígio do documentário", avalia. Simultaneamente, ocorre a conferência internacional do documentário. Fernão Ramos e Carlos Alberto de Mattos vão debater o documentário brasileiro, Amir Labaki vai entrevistar o homenageado Vladimir Carvalho, ele terás muito o que contar, desde seus primórdios na Paraíba e, depois, em Brasília, até as belas obras sobre José Lins do Rêgo e o rock brasiliense. Ainda nas conferências, Jonathan Rosenbaum, um dos maiores especialistas na obra de Welles, vem avaliar o legado do grande artista. São muitas as sugestões de obras imperdíveis, mas, como Labaki gosta de dizer, "nossa seleção é rigorosa e todo filme que chega aqui vale a pena e merece ser vista."

Nesses 20 anos, o festival cresceu bastante. São seis salas em São Paulo, cinco no Rio e depois, até junho, o É Tudo Verdade vai passar por Santos, Belo Horizonte e Brasília. "Nosso público tem crescido de ano a ano. No ano passado, foram 26 mil espectadores, 10% a mais que no ano anterior." E a abertura tem Coutinho, o filme que o mestre não pode finalizar, mas Jordana Berg e João Moreira Salles finalizaram por ele, como gesto de amor pelo amigo querido. E pelo documentário.

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