REUTERS/Regis Duvignau
REUTERS/Regis Duvignau

Filme inacabado de Jerry Lewis pode ser resgatado

Drama sobre o holocausto, ‘O Dia em que o Palhaço Chorou’ teve uma história polêmica e uma produção tumultuada

Peter Tonguette, THE NEW YORK TIMES

03 de janeiro de 2019 | 06h00

Para um determinado cinéfilo esta seria um a das últimas Baleias Brancas perdidas do cinema. Em 1972 Jerry Lewis, mais conhecido por comédias como O Professor Aloprado, viajou a Paris e Estocolmo para realizar um filme diferente: um drama sobre o holocausto chamado O Dia em que o Palhaço Chorou no qual o ator, que era judeu, interpretava um palhaço de má fama que acaba em um campo de prisioneiros.

Lá, ele diverte as crianças judias e é manipulado de modo a atraí-las para a câmara de gás. “O filme era algo muito próximo do seu coração”, disse Chris Lewis, 61 anos, o quarto dos seis filhos do ator que morreu no ano passado, aos 91 anos de idade.

Ideia enterrada. Como o filme inacabado de Orson Welles, O Outro Lado do Vento, que durante décadas ficou oculto num purgatório político, legal e financeiro – e agora está disponível na Netflix, que participou de sua recuperação –, a obra de Jerry Lewis estava inconclusa quando ele morreu, em agosto de 2017, aos 91 anos, e sua ideia original do filme foi enterrada com ele. Mas rumores recentes, juntamente com a morte do ator e o lançamento no mês passado, do filme de Welles deram aos fãs razões para esperar que Clown também seja resgatado em breve. No momento, porém, eles têm de aguardar.

Os problemas com o que pode ser o mais famoso filme inacabado no mundo já começaram no início. Com um primeiro roteiro assinado por Joan O’Brien e Charles Denton, o filme estava em fase de produção quando, de acordo com uma biografia de Shawn Levy, de 1996, Lewis soube que O’Brien jamais tinha sido paga pelo trabalho e os direitos da história não foram assegurados.“Meu pai, achando que tinha licença artística plenamente garantida, reescreveu o roteiro e começou as filmagens e estava no meio da produção quando percebeu que as pessoas não foram pagas” disse Christian Lewis.

Lembrança da fuga. Num livro de memórias de 2005, Jerry disse que seu produtor “fugiu da cidade” sem pagar os direitos e outras despesas. Lewis sofreu uma perda de US$ 2 milhões.

“Minha mãe ficou triste porque ele vendeu nossa propriedade na praia em Vancouver. E também a nossa casa em Palm Springs, o seu barco – tudo isso foi vendido para ele conseguir dinheiro para produzir o filme”, disse Chris Lewis.

Mas o filme completo nunca surgiu e sua lenda aumentou. Processos e dívidas aparentemente o lançaram no limbo perpétuo. Jerry Lewis reteve apenas parte dos negativos e disse ao filho que o resto estaria em algum lugar na França e na Suécia.

Mas Jerry Lewis fez uma primeira edição e constantemente surgem notícias de um lançamento na tela. Num artigo na revista Spy em 1992, o comediante Harry Shearer disse ter visto o filme em 1979.

“Esse filme é drasticamente falso”, disse ele. “Seu sofrimento e comicidade são tão equivocados que você não consegue, na sua fantasia do que poderia ser, melhorar o que existe de real”.

Em 2016 uma amostra de 30 minutos do filme vazou online. No ano seguinte a Vanity Fair publicou uma entrevista com o crítico de cinema francês Jean-Michel Frodon, que afirmou ter visto uma versão dele no início de 2.000 (que ele admirou). Chris Lewis disse ter assistido a essa versão nos anos 1970, mas não sabe o que ocorreu com ela. “Não me lembro se achei um trabalho realmente excelente”, afirmou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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