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Filme francês ‘Belle e Sebástian’ é ingênuo porém encantador

Longa é ambientado nos Alpes, durante a Segunda Guerra Mundial, e conta a história da amizade entre um menino e uma cadela

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 19h25

Belle e Sebástian, de Nicolas Vanier, começa de maneira alucinante. Um velho e um garoto caminham pelas montanhas. Ouvem-se tiros. Caçadores mataram uma cabra e seu filhote também cai, ficando preso numa escarpa. O velho desce o menino por uma corda para que ele salve o animal do abismo. Tudo muito bem filmado. 

Já nesses primeiros movimentos fica clara a intenção – existe um relacionamento entre homens das montanhas e animais que vai além dos hábitos citadinos com seus bichinhos de estimação. Na rudeza da neve e das escarpas, essa relação é mais visceral. Belle e Sebástian foi uma série francesa em 1956, um sucesso na TV. Volta agora reciclada pelas mãos de Vanier. Mas guarda aquele ar meio retrô dos anos 50, o que apenas é parte do seu encanto. 

Quem são os personagens? O menino é Sebástian (Félix Bossuet) e César (Tchéky Karyo), seu avô. Ou melhor, avô postiço, uma vez que o garoto parece não ter pai nem mãe, o que será esclarecido pela história. Tem apenas uma irmã, Angelina (Margaux Chatelier). Belle é uma enorme cadela, que se afeiçoa a Sebástian, mas é temida no lugarejo por sua suposta ferocidade. Estamos nos Alpes, região fronteiriça entre a França e a Suíça. E os tempos não são amenos. Vive-se a Segunda Guerra Mundial e a região foi ocupada por soldados nazistas. 

Como se vê, Belle e Sebástian mistura – e, diga-se, com boa dose de eficiência – o tema da amizade entre criança e cachorro com uma trama envolvendo a resistência aos nazistas. 

Sem conhecer a série original é impossível estabelecer comparações entre ela e o filme atual. Diz a crítica francesa que se trata de uma modernização competente, com direção repaginada e diálogos atualizados para os dias que correm. De qualquer forma, a história refere-se a fatos passados nos anos de guerra, e, nessa medida, foi criticado por edulcorar a ocupação alemã. 

Verdade. Mas, visto de maneira mais benigna, Belle e Sebástian funciona bem como filme para crianças, em especial pela relação entre os dois “atores”. A criança é encantadora em sua esperteza. E Belle é pra lá de inteligente. As paisagens são magníficas e o filme guarda souvenir de um humanismo um tanto ingênuo, idealizado, mas sempre bonito de ver. Há filmes assim. Nos afastam do real, nos fazem ver as coisas de uma maneira que procuramos combater na dura lucidez do dia a dia. Mas não conseguimos deixar de gostar deles. São como férias rápidas que tiramos de uma racionalidade que, exercida full time, seria nada menos que insuportável. 

Como as crianças estão livres desses pruridos intelectuais, podem simplesmente curtir o filme sem qualquer peso na consciência. E ele é de fato irresistível, como acontece com qualquer fantasia bem narrada. 

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