"Filme Fashion" traz mostra de musicais ao CCBB

Pelo segundo ano consecutivo, a jornalista Alexandra Farah faz a curadoria da mostra Filme Fashion, que começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil. Alexandra estudou moda em Nova York. Consciente de que o cinema é um grande difusor da moda, ela organizou, no ano passado, o primeiro Filme Fashion, formado por filmes com figurinos assinados por Coco Chanel, Christian Dior, Yves Saint Laurent e Giorgio Armani, entre outros. Este ano, na segunda edição, ela privilegia o musical, convencida de que sua influência na estética e no comportamento é grande demais para não ser avaliada. A própria Alexandra chama a atenção - pegue o moletom rasgado de Flashdance e veja como sua presença ultrapassa a estética jovem dos anos 1980, permanecendo atual. Volte 40 anos no tempo e veja como Carmen Miranda fez o mundo todo usar tamancas e balangandãs. E o que dizer da elegância da dupla formada por Fred Astaire e Ginger Rogers? Viraram sinônimo de chique em O Picolino. No caso de Hair, a celebração é inversa - o movimento é antifashion. Anti? Na verdade, é tudo fashion, o chique, o glamouroso, o básico, o exagerado. Ao todo, serão 30 filmes em diversos suportes - e divididos entre obras de ficção e documentários. Você já parou para pensar? Houve musicais desde que o o cinema começou a falar. Broadway Melody ganhou o segundo Oscar da história, como melhor filme do biênio 1928-29; e Ziegfeld, o Criador de Estrelas também venceu o prêmio da Academia de Hollywood em 1936. Musicais seguiram ganhando o Oscar nos anos 1950 (Sinfonia e Paris e Gigi), nos 60 (Amor, Sublime Amor, My Fair Lady e A Noviça Rebelde) e nos 70 (Cabaret). Depois, houve um longo jejum até que Chicago ganhasse a estatueta, no ano passado. Nada mais diferente de um musical do que um western e, no entanto, os dois gêneros retiram sua força da utilização do plano geral, ao qual o filme cantado e dançado impõe certas características bem particulares. O musical só se tornou um gênero dominante no cinema americano quando o sistema de estúdios estava estruturado e o desenvolvimento da cor e da cenografia permitiam a criação de obras voláteis como a fênix. Com o fim do sistema de estúdios, encerrou-se também a grande fase dos musicais. A Metro reinava porque tinha a unidade Arthur Freed, na qual o produtor mantinha um batalhão de diretores e roteiristas, mas também coreógrafos, dançarinos, cenógrafos e figurinistas. Quando ficou caro manter tudo isso, o musical virou um gênero sazonal. Por outros motivos, isso também ocorreu com o western. Uma das grandes atrações (a maior?) do evento será a exibição de Greendale, o musical de Neil Young - que foi homenageado no recente Los Angeles Film Festival. Mas também vão passar Ame-me Esta Noite, de Rouben Mamoulian; O Picolino, de Mark Sandrich; Entre a Loira e a Morena, de Busby Berkeley; Amor, Sublime Amor, de Robert Wise e Jerome Robbins; Socorro!, de Richard Lester; Embalos de Sábado à Noite, de John Badham; Aviso aos Navegantes, de Watson Macedo; Hair, de Milos Forman; e Moulin Rouge, de Baz Luhrmann. Haverá uma mostra competitiva nacional, com eleitos do público e do júri oficial, em diversas categorias, incluindo filmes publicitários, videoclipes e vídeos de desfiles. E, no dia 14, às 19h30, especialistas de moda e cinema vão discutir a relação entre ambos. Filme Fashion - No CCBB. R. Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. Ingressos a R$ 4 (cinema) ou grátis (vídeo)

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