Pandora Filmproduktion
Pandora Filmproduktion

Filme 'Família Submersa' acompanha o sofrido processo de luto de uma mulher

Atriz argentina Mercedes Moran é Marcela, que perdeu a irmã repentinamente, mas não consegue tempo e privacidade para chorar a sua perda; assista ao trailer

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2019 | 03h00

Por ter sido atriz de Lucrecia Martel – em A Menina Santa – e estar estreando na direção com um longa de recorte bem intimista, María Alche é considerada cria da autora argentina. Numa entrevista por telefone, de Buenos Aires, ela conta. “É uma pergunta que me fazem sempre e, em geral, as pessoas já têm a resposta. Para elas, tenho de ser (cria). Sou muito próxima de Lucrecia. Somos amigas, trocamos ideias e discutimos nossos projetos. Então há uma identidade, mas não tenho consciência de ser influenciada por ela. Isso está muito mais no olhar dos outros. É coisa para crítico analisar, não eu.”

Família Submersa, que estreou na quinta, 4, é uma coprodução Argentina/Brasil. A parceria brasileira é com Tatiana Leite, que produziu Benzinho. O filme narra o processo de luto vivido por uma mulher. Sua irmã morreu, eram muito ligadas, mas Mercedes Morán não está tendo tempo de liberar seu sofrimento. A vida a exige. Como é isso? “O filme nasceu dessa perplexidade minha. O efeito da morte é que, às vezes, senão sempre, nos leva a refletir sobre o absurdo da vida. Quando morre uma pessoa, o que resta dela? Os vivos é que têm de fazer essa reabsorção, e pode ser rápida, pode demorar uma vida. Depende de cada um. Queria colocar esses sentimentos na tela, entender esse processo. E evitei ao máximo o melodrama. Meu desejo é mostrar que a morte faz parte de um ciclo, e a vida continua.”

Mercedes Morán, que está nos cinemas com Um Amor Inesperado – dividindo a cena com Ricardo Darín –, foi a mãe de María (Alche) em A Menina Santa. Como foi trabalhar com ela em Família Submersa? “Mercedes é uma grande atriz, tenho um carinho imenso por ela, que foi muito generosa comigo, apoiando-me na minha inexperiência. Mas não escrevi o papel para ela, como você pode pensar. Escrevi para outra atriz, que não estava disponível. Comecei a pensar em possibilidades e cheguei a Mercedes. De novo ela abraçou o projeto. Impregnou a personagem de sensualidade. E me deu aquele sorriso lindo, quando o filme aponta para o futuro, como eu queria.”

A canção do pai é dilacerante – “Tinha de ser, e eu escolhi um grande ator de teatro por isso. Mas sempre ficava o friozinho. Ele vai conseguir?” Marcelo Subiotto é genial. Num filme sobre a vida que segue, vale contar – Maria está nos últimos dias de gravidez. Será mãe de uma menina a qualquer momento.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Ricardo Daríncinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • Antonia Fontenelle fala sobre áudio em que critica Otaviano Costa e Flávia Alessandra
  • Atores de 'Liga da Justiça' pedem lançamento de Snyder Cut, versão original do filme
  • Nazismo no Brasil: País tem mais de 300 células que seguem a ideologia

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.