Filme do 'Homem de Ferro' chega aos cinemas brasileiros

Herói dos anos 60 que poderia parecer sucata hoje, chega renovado ao seu primeiro filme de carne e osso

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

08 de abril de 2029 | 16h00

Na verdade, sua armadura é feita de uma liga de ouro e titânio, porque o ferro não seguraria a onda de tanto tiro e míssil. Mas Tony Stark (Robert Downey Jr.), o homem dentro da armadura do Homem de Ferro, um herói dos anos 1960 que poderia parecer sucata no século 21, chega renovado e cheio de truques ao seu primeiro filme de carne e osso. Veja também:Trailer de 'O Homem de Ferro'   Trailer de 'O Sonho de Cassandra'  Farrell e McGregor estão no novo filme de Woody Allen A sua velha armadura agora é modular, móvel, como a dos Transformers. O som de fundo é rock pesado, com faixas como Institutionalized, do Suicidal Tendencies. Seu laboratório é nos fundos de uma casa paradisíaca em Malibu. Sua gênese, que nos gibis se dava na Guerra do Vietnã, agora é transposta para o conflagrado Afeganistão. Os heróis dos comics, para fazerem sentido no mundo atual, precisam também se atualizar e trazer seus conflitos para um foco mais próximo. Neste caso do Homem de Ferro, que chega às telas nesta quarta-feira, 30, a questão é a da falta de ética e a crueldade da indústria armamentista, que chega a investir no estímulo às guerras regionais.  Tony Stark é herdeiro da Stark Industries, que fabrica rifles de alta precisão, mísseis, bombas. Não tem a menor idéia de onde vem seu dinheiro, não tem a menor crise de consciência. Ao ser feito prisioneiro no Afeganistão, tem a vida salva por um misterioso aldeão que conhece técnicas de microcirurgia, fala inglês, russo, afegão e dialetos e conhece política internacional. Nonsense total, mas sabemos que estamos dentro de um gibi. Ambos terão um plano para fugirem. Jeff Bridges, vice-presidente do grupo de Stark, é o vilão, Obadiah Stane. Ele parece que andou lendo uns gibis e fez de seu personagem uma mistura de vilões dos comics, como o Lex Luthor do Super-Homem e O Rei, do Demolidor. Gwyneth Paltrow faz a doce Pepper Pott, a secretária de Tony Stark, moça sonhadora que faz desde o breakfast até a compra de quadros impressionistas para o chefe. O filme tem um bom timing para o senso de humor, boas gags, boas participações especiais - a melhor delas a do magnata dono da revista Playboy, Hugh Heffner, que cruza acidentalmente com Tony Stark numa festa. Robert Downey Jr. lembra às vezes uma versão rejuvenescida do Clóvis Bornay, com aquele semblante endurecido pelo botox, o cabelo meio prenhe de laquê. Agora na dura pele do Homem de Ferro (ele, que já freqüentou diversas clínicas de reabilitação tempos atrás), sua missão é recuperar a si mesmo como ator. Perto de Ben Affleck (O Demolidor) e Jennifer Garner (Elektra), ele é quase um Marlon Brando. Mas o coté playboy de Downey Jr. é pouco convincente. Ele, que se gaba com soldados do exército americano de ter dormido com quase todas as moças que foram capa da (fictícia) revista masculina Maxim ("A de março não rolou, mas em compensação as de dezembro eram gêmeas", brinca), só tem um rala-e-rola de fato com uma mulher. É quando vai para a cama com a combativa repórter da revista Vanity Fair, mas é ela que dá um show de sensualidade. O herói nem comparece. O playboy foi inspirado pelo seu criador, Stan Lee, no milionário americano Howard Hughes (que já foi interpretado por Leonardo DiCaprio no cinema). Era mais cuidadoso com os bandidos: agora, com os punhos vitaminados, é só ferro na boneca nos assustados mercenários afegãos.  Ao final, a cruzada antibelicista do Homem de Ferro parece lhe cair tão bem quanto discurso de candidato do Partido Democrata americano em relação ao Iraque. Soa cascateiro, mas o ritmo de matinê não pede mesmo sinceridade.

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