Filme do diretor chinês Lou Ye é exibido em Cannes

O único filme chinês em concurso apresentado hoje no Festival de Cannes, Summer Palace de Lou Ye, aterrissa na Croisette com dois pecados capitais. Duas culpas que teriam atiçado a censura prévia das autoridades chinesas, que ainda não o liberaram no país.A primeira são as muitas cenas de sexo explícito. A segunda, que o filme trata daquele movimento estudantil que provocou os confrontos na praça de Tien An Men em 1989. Na verdade, mais que pecados capitais, no caso de Summer Palace se deveria falar de pecados veniais. O sexo está lá de forma bem explícita mas é passional e leva a protagonista Yu Hong ao grande amor de sua vida: o jovem Zhou Wei. Os dois estudantes de Pequim são envolvidos no movimento estudantil de Tien An Men, mas na verdade pouco se vê das cenas violentas na praça. O filme trata mais de uma geração chinesa aberta pela primeira vez para uma vontade de mudança que até pratica um sexo liberatório, politicamente transgressivo. Do ponto de vista histórico Summer Palace não se limita aos anos 80. Com flashback volta no tempo a partir da queda do Muro de Berlim e chega até 2003. O centro é a história de amor obsessiva da protagonista pelo seu Zhou Wei. Uma mulher romântica e muito racional que afirma que no amor "a moral existe quando dois corpos se unem". No entanto também é verdade que aquele período histórico não pode certamente ser tolerado pelas autoridades chinesas, como o próprio diretor reconhece quando afirma que "a primavera de Pequim não morreu. Ainda vive dentro de nós".O Festival de Cannes teve início na última quarta-feira, na França, com a exibição de O Código Da Vinci, polêmico filme de Ron Howard estrelado por Tom Hanks que teve como base o livro homônimo do norte-americano Dan Brown.

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