Filme de Zeffirelli estréia em Paris

Franco Zeffirelli viaja a Paris para acompanhar, na segunda-feira, a estréia mundial de seu filme Callas Forever, sobre a cantora grega Maria Callas, um dos mitos do século 20, na cidade onde ela morreu há 25 anos. "Maria não era apenas uma voz. Atrás de todo grande talento existe sempre uma personalidade importante e é isto que eu quero mostrar aos jovens que verão meu filme", disse Zeffirelli.O diretor se inspirou em um fato real para filmar Callas Forever, um projeto frustrado de 1970, de dirigir Maria no cinema, interpretando Carmen, de Bizet. "Mas a voz que havia encantado o mundo não existia mais. Minha idéia era filmá-la e usar o som em playback da memorável versão de 1964, sob a direção de Georges Prêtre, mas ela era contra o truque cinematográfico. Ela me disse: ´Estou velha para o papel, mas vou pensar´", contou Zeffirelli."Eu trabalhei muito com Maria, sobretudo nos últimos anos de sua carreira, como diretor artístico de Norma, de Bellini, em Paris, em 1965 e sua última Tosca, de Puccini, no Covent Garden, em Londres, neste mesmo ano", lembrou o cineasta. Contou ainda que durante alguns anos pensaram levar Tosca para o cinema, e depois, em Carmen, primeiro para o teatro e depois para as telas. "Mas não consegui convencê-la. Tivemos grandes brigas, ela era terrível, mas freqüentemente tinha razão", lembrou com nostalgia o diretor.O truque cinematográfico foi feito com a atriz francesa Fanny Ardant no papel de Callas. O filme conta o desespero da artista após ter perdido sua magnífica voz, considerada uma das mais belas e dotadas para a ópera."Depois que perdeu a voz, Maria convenceu-se de que havia perdido tudo e se deixou morrer - afirmou o cineasta. Mas nos deixou muitos ensinamentos e é o que quero mostrar com este filme. Ela nos ensinou o rigor absoluto, a idéia de que atrás de uma qualidade suprema há esforços supremos, em qualquer disciplina, não somente no canto"."As ilusões dos jovens de ficarem famosos em um concurso de televisão não passam disso, ilusões. É preciso sofrer para conseguir um resultado de nível superior. E resignar-se a pensar que vozes como a de Callas aparecem uma vez em cada século", concluiu Zeffirelli.Após a estréia do filme em Paris, Zeffirelli acompanha a estréia na Itália e diz que entre seus projetos futuros há um que sempre quis fazer: um filme sobre a segunda parte da vida de São Francisco de Assis.

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