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Itália faz fila para se ver em filme sobre Silvio Berlusconi

Longa retrata momentos conturbados da vida do político italiano

O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 18h51

O filme Loro 1 (Eles), do aclamado diretor italiano Paolo Sorrentino, sobre o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, faturou 250 mil euros no dia de estreia – número considerado bom para uma terça-feira. 

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Loro retrata com os olhos de Sorrentino a sociedade “berlusconiana”, de 2006 a 2011. “Sou italiano e quis fazer um filme sobre os italianos. Berlusconi é um arquétipo da ‘italianidade’ e, por meio dele, podemos contar como são os italianos”, disse o diretor.

Dividido em duas sequências, o filme fala sobre a face mais imoral e arrivista da sociedade italiana, que sonhava em participar das lendárias festas selvagens, batizadas de “bunga bunga”, na mansão Berlusconi nos subúrbios de Milão.

Segundo Sorrentino, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro com A Grande Beleza, em 2013, o filme vai além dos escândalos sexuais e descreve a época em que Berlusconi comandava a Itália, quando sexo, drogas e prostituição se transformam em passaporte para acessar o alto escalão do poder. 

A primeira hora do filme é inspirada nas escapadas do empresário Gianpaolo Tarantini, interpretado pelo ator italiano Riccardo Scamarcio – que usa o nome de Sergio Morra. Ele era responsável pela organização das festas bunga bunga – hoje, o empresário está preso por tráfico de drogas.

O Cavaliere, interpretado pelo ator Toni Servillo, entra na segunda metade de Loro, que mostra um Berlusconi gentil e amável, um marido que tenta reconstruir seu casamento, tem paixão pelas flores e conta histórias divertidas para o neto. 

Berlusconi surge nas telas como presidente do Milan, que dá um cheque em branco para um jogador não trocar o clube pela Juventus – em vão. Segundo a imprensa italiana, Loro 1 parece ser uma preparação para as cenas mais fortes da sequência, que será lançada em maio. 

Berlusconi não deu declarações após a estreia do filme. “Só espero que não seja uma agressão política”, se limitou a dizer o magnata italiano durante a campanha do referendo sobre a autonomia da Lombardia, no fim do ano passado. Nos últimos dias, o ex-premiê tem dito a aliados que não faz questão de ver o filme. 

No entanto, o diário Il Giornale, de propriedade do magnata, que temia um ataque à imagem de Berlusconi no momento em que ele volta à cena política italiana, elogiou o filme de Sorrentino. “No fim, Berlusconi parece ser o melhor de todos”, publicou o jornal. 

As festas de Berlusconi marcaram os últimos meses de seu governo na Itália. O ex-premiê sempre negou que promovia orgias em sua mansão. “Eram soirées à luz das velas onde reinava a elegância e o respeito”, disse certa vez o magnata, que garantiu que ninguém tirava a roupa. 

O assunto também foi notícia fora da Itália. Em 2014, o governo britânico se recusou a comentar as declarações do então primeiro-ministro James Cameron. Antes de um visita oficial a Roma, em 2014, ele brincou, em conversa com jornalistas, sobre como teria tranquilizado a mulher. “Samantha, não se preocupe. Tenho de ir a Itália jantar com Berlusconi”, disse Cameron. “Mas vou pedir a um assessor que me tire da jacuzzi antes de as prostitutas chegarem.” / AFP 

 

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