Filme de Roberto Gervitz é exibido em San Sebastián

O filme brasileiro Jogo subterrâneo, do cineasta Roberto Gervitz (Feliz Ano Velho e está sendo exibido na seção Zabaltegi/Novos Diretores do 53.º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. Gervitz explicou hoje que se inspirou em seu escritor favorito de juventude, o argentino Julio Cortázar, para contar em Jogo subterrâneo a história de um homem que inventa um jogo para encontrar a mulher de sua vida. O protagonista do filme traça itinerários de viagem de metrô em São Paulo e, ao subir no trem, escolhe uma mulher que o atraia, atribui um nome a ela e espera que ela siga o trajeto que ele idealizou e que está anotado em um bloco. Trata-se da "fascinação da busca solitária, uma busca desenganada", disse o diretor. As coisas não saem como Martín (Felipe Camargo) deseja: suas mulheres saem do vagão antes do previsto e tomam outra direção. Com algumas delas, o protagonista ainda estabelece algum tipo de relação, mas o fato de que não seguiram o itinerário idealizado por ele faz com que ele não queira seguir em frente no relacionamento. Além de Felipe Camargo, estão no elenco Maria Luisa Mendonça, Júlia Lemmertz, Daniela Escobar e Maitê Proença. O filme é uma adaptação de Manuscrito encontrado em um bolso, um dos oito contos da obra Octaedro, de Cortázar (1914-1984). Em sua juventude, o cineasta brasileiro teve o escritor argentino como seu autor de cabeceira, "fascinado por sua capacidade de expressar uma realidade paralela, mas próxima, e de trabalhar a linguagem até limites inesperados para produzir uma dimensão simbólica e metafórica". Gervitz disse que com este filme quer "falar da idealização da vida; de como construímos em nossas mentes coisas que não correspondem à realidade, ao caos do imponderável". O protagonista de Jogo Subterrâneo, diz Gervitz, é "um romântico que não consegue conduzir a si mesmo dentro do caos da vida", e "serve como exemplo a tantas pessoas que ´jogam´ com a vida, embora não da mesma forma rígida que o personagem Martín". "Eu queria descrever a tensão entre as duas forças: a do desejo de controlar a vida e de se proteger, e a da própria vida, te chamando", disse o diretor do filme. Gervitz expressou sua opinião crítica sobre a "corrente" cinematográfica latino-americana que só conta "o mais urgente: os problemas da política, a miséria, a sensualidade ou o tropical". Por isso, Gervitz disse que defende que um artista latino-americano ou africano possa "falar de tudo, como os americanos ou os europeus, e não só de favelas, futebol e narcotráfico". O cineasta brasileiro destacou a experiência que vive em San Sebastián, pois considera que este Festival Internacional de Cinema tem a virtude de "colocar o diretor em contato direto com o público, algo que não acontece em nenhum outro lugar". Roberto Gervitz destacou a possibilidade de debater "com um público que gosta muito de cinema", e disse ter se surpreendido ao ver durante o festival que "às nove da manhã, logo após amanhecer, já há filas enormes para ver um filme".

Agencia Estado,

21 de setembro de 2005 | 12h50

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