Filme de Oliver Parker abre Festival de Locarno

A estréia do novo filme do inglês Oliver Parker A Importância de Ser Prudente, baseado em Oscar Wilde, abre nesta quinta-feira o 55.º Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. A projeção - se não chover - será na praça principal, a Piazza Grande, num telão de 300 m², para um público de 9 mil pessoas sentadas. Presença garantida do diretor e do ator Rupert Everett.Três cineastas brasileiros estarão em Locarno: Kiko Goifman, participará da competição em vídeo com seu documentário 33; Eryk Rocha, mostrará o filme Rocha que Voa, homenagem ao seu pai, o cineasta Glauber Rocha, na mostra paralela Semana da Crítica; e Artur Omar, videomaker e artista plástico será um dos membros do júri da competição de vídeo.Marco Solari, presidente do Festival de Locarno, considerado o quarto no ranking mundial, e elevado à seleta categoria A, da qual se beneficiam só uma dezena de festivais, afirma que este ano, Locarno "é mais rico em conteúdo e, ao mesmo tempo, em infraestrutura com a ampliação de suas salas de projeção".Entre as atrações no telão da Piazza Grande, estão a estréia do filme Sinais, com o ator Mel Gibson, sobre discos voadores que traçam figuras geométricas nas plantações de diversos países. A recente notícia de um ovni sobrevoando os céus da Casa Branca, reforça o interesse pelo filme. Haverá também a estréia de Possessão, filme com Gwyneth Paltrow, a nova namorada de Walter Salles, no papel principal; a estréia de Bend it Like Bekham, que, como o título indica, é um comédia futebolística e o retorno de Pavel Lounguine, de Taxi Blues, com O Novo Russo.O Festival de Locarno assinala também o recesso do cinema asiático, menos numeroso e de menor qualidade. Este ano, a concorrência com Veneza, cujo diretor-interino teve só quatro meses para a seleção, foi menor e Locarno perdeu apenas um filme para os italianos. Como se sabe, o diretor da Mostra de Veneza foi demitido pelo governo de direita de Silvio Berlusconi, e substituído às pressas pelo ex-diretor do Festival de Berlim, Moritz de Haldern. Entrevista com Irene Bignardi - Para a diretora do Festival de Locarno, o que se destaca como tema principal dos filmes é o mal estar da juventude atual. Tratam disso os filmes húngaro, francês, argentino, para citar só alguns. Os jovens sofrem em geral da incerteza sobre o que fazer num mundo sem valores. Não sabem como se situar, num mundo com guerras, imensas riquezas e profunda miséria". Foi difícil se encontrar bons filmes ao fazer a seleção? Sim, assisti a centenas de filmes sem qualidade, entre as coisas boas. É preciso ter muita paciência e coragem para continuar fazendo a seleção, pois surgem filmes realmente abaixo da crítica. Com a vulgarização do cinema em conseqüência do surgimento do digital e do vídeo, todo mundo se sente cineasta e por isso surgem filmes terríveis! Mas como somos exigentes em Locarno, procuramos ver o máximo possível, e finalmente encontramos filmes preciosos. Por que a América Latina está pouco representada este ano? Se ela está pouco representada é porque não nos propôs boas escolhas, mas isso aconteceu também com outros continentes. O que escolhemos é o melhor que achamos e isso se aplica à Argentina, Brasil, Chile, Colombia, etc. Não havia grandes coisas. Não acredito que a explicação para essa ausência seja o Festival de Veneza. Alguns filmes sul-americanos foram para a mostra Cineastas do Presente porque não tinham o formato exigido pela competição. Este foi também o caso dos filmes brasileiros não escolhidos. No ano passado, quando estive na Argentina, pensei que teria dificuldades de escolha, mas isso não ocorreu. Sua crítica ao vídeo é total ou há bons filmes nessa categoria? Há bons filmes em vídeo, que sabem explorar as oportunidades permitidas. Existem vídeos que tratam os personagens de uma maneira que a câmera tradicional nunca conseguirá fazer. Isso permite um outro tipo de relação, inteligente e interessante.

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