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Filme de Murilo Salles mostra corrupção e sexo na cúpula do poder

A atriz Cíntia Rosa destaca-se no novo longa 'O Fim e os Meios', que concorre no Festival de Gramado

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 21h39

GRAMADO - Murilo Salles tem falado muito de seu novo longa, O Fim e os Meios, como um filme sobre as pequenas corrupções do cotidiano. No País das denúncias, é corajoso, além de ousado, que um diretor venha dizer no debate que é “um pouco bonzinho, um pouco corrupto, um pouco escroto como todo mundo”. O Fim e os Meios já concorreu na Première Brasil do Festival do Rio do ano passado. O júri de Gramado tem a chance de redimir o do Rio, outorgando a Cíntia Rosa o Kikito de melhor atriz. Bela, sexy, intensa, Cíntia faz o que o próprio diretor definiu como uma espécie de Anna Karenina. Pelo menos, foi o livro que ele lhe deu para ajudar na composição da personagem.

Cíntia faz Cris, jornalista política ambiciosa que acompanha o marido marqueteiro quando ele se muda para Brasília para fazer a campanha de reeleição de um senador de Alagoas. Pedro Brício é quem faz o marido, e todas as informações vão sendo desenroladas a partir do começo que desenha o marido como um fugitivo. Ele é alguém que se esconde. Só sabemos depois o por quê. A união começa por um fio -­ Brício desestruturou-se ao saber que Cris estava grávida – e ele passa boa parte do filme tentando consertar as coisas. Numa cena breve, ele junta duas camas de solteiro, obviamente expressando o desejo de selar o casamento. O problema é que Cris se envolve com o genro do senador. Enlouquece de desejo pelo personagem de Marco Ricca. Para complicar ainda mais, Brício é acusado de participar de um esquema corrupto e aí é tudo – vida, profissão, sentimentos – que se enreda para todo o mundo.

O Fim e os Meios estreia no começo de novembro. Até lá, a pauta/bomba que divide o Brasil já terá sido desarmada ou terá detonado. Vamos ver de que forma isso vai se refletir na apreciação do filme. A questão do sexo como afrodisíaco do poder, que Salles engloba, é só o que falta na onda de denúncias que virou o feijão com arroz da imprensa diária. Mais premente agora é a pergunta que não quer calar: Cíntia e Hermila Guedes levam os Kikitos? A resposta sai no sábado.

E nem falamos dos curtas. Herói, de uma dupla de estudantes de São Paulo, João Pedone e Pedro Figueiredo, está sendo o filme que realmente provocou mal-estar em Gramado. A ligação de um homem com cabeça de menino e a doméstica que abusa dele, mas toma consciência disso. Ela faz m... e o ato de defecar irrompe no filme de forma desconcertante. Herói estará no Festival de Curtas Kinoforum. Fique atento, porque poderá dar o que falar.

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