Filme de Ming-liang que integra Mostra provoca com ternura

A obsessão pelo interminável fluxod?água e pelas enfermidades do corpo, tradicional em suafilmografia, continua presente, mas o cineasta de Taiwan TsaiMing-liang já aponta para novos caminhos em Eu não Quero Dormir Sozinho, um dos destaques de quinta-feira da Mostra. Trata-se de seu filme mais secretamente pessoal, em que ele voltou a Kuala Lumpur, sua cidade natal. O filme conta a história de um imigrante que, depois deespancado, é acolhido por um homem que vive em um enormeedifício inacabado - nos anos 1990, aproveitando um boomeconômico, a Malásia iniciou uma série de construções que nãoforam concluídas. Inconsciente, o ferido é cuidado pelo homem,que o acomoda em sua cama, formada por um colchão que ele achoujogado na rua. Aos poucos, sua dupla intenção vai se revelando.Ao mesmo tempo, à medida que se recupera, o rapaz não nega ocarinho de seu protetor ao mesmo tempo em que busca saciar seudesejo com uma garota, que trabalha em um boteco próximo. Aospoucos, ele se descobre em uma enredada relação, desejado pelosdois. De fato, há uma ternura mais acentuada em Eu não QueroDormir Sozinho que nos filmes anteriores de Ming-liang, querevela uma aproximação do minimalismo a partir de uma cuidadaconcepção de luz, que produz um grande impacto nas imagens - emalguns momentos, aliás, o choque é até maior que o provocadopela própria relação entre os personagens. Provocativo, o filme exibe uma sexualidade ligeiramenteescondida, que se revela aos poucos até culminar com a belíssimacena final. Eu não Quero Dormir Sozinho (2006, 118 min.) - Sala UOL. RuaFradique Coutinho, 361, (11) 5096-0585. Hoje, às 21h50

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