Filme de Gitai aborda tráfico de escravas brancas

O cineasta israelense Amos Gitai é um dos homenageados da 28.ª Mostra BR de Cinema, com uma retrospectiva, uma exposição de fotos e um belo livro. Em entrevista coletiva, na tarde de hoje, ele explicou o porquê de ter feito Terra Prometida, seu mais novo filme, no formato digital. "Queria um filme um pouco sujo, que traduzisse um sentimento de urgência." Explica, também, por que adotou o formato de ficção. "É um filme sobre a prostituição feminina nos territórios ocupados. Teria de ter cenas de nu. Acho que seria degradante filmar as próprias pessoas de forma documentária." No filme, Gitai aborda o tráfico de escravas brancas para os bordéis israelenses. As tais escravas são moças, vindas em sua maioria dos países do leste europeu, que atravessam o deserto em busca de dinheiro. Essa é a "terra prometida" de que fala o título irônico. De certa forma, não é apenas a questão israelense que está retratada em Terra Prometida. Nela, entra também a Europa, a que nos acostumamos a considerar um paraíso na Terra mas que apresenta sérios problemas com a assimilação dos antigos países socialistas e com as ondas migratórias incontroláveis. Com a imigração maciça, o preconceito contra estrangeiros tem aumentado a níveis inéditos. No mundo da globalização econômica, o bairrismo e a xenofobia estão em alta. Esse discurso humanista seria apenas panfletário, não fosse Amos Gitai um cineasta em plena posse dos seus recursos. Sabe manejar sua técnica narrativa no interesse do filme como um todo. Como se disse, no começo ele precisa da câmera na mão para expressar o medo, a instabilidade, o sufoco daquela viagem de pesadelo no meio do deserto. Depois, prefere a câmera parada numa longa e linda cena de diálogo entre uma cafetina (interpretada por Hanna Schygulla, atriz de Fassbinder) e uma das garotas. Cena tão magnífica quanto triste.Giati é obcecado pela ética, que impõe certos limites em seu cinema. "Sem ética, o cinema vira puro exercício de virtuosismo e cai no superficial." Revendo seus filmes, descobriu que os documentários do começo de sua carreira continuam fortes (e atuais). "O fato de não usar narrador nem frases feitas para expressar minhas opiniões não os datou." Critica Michael Moore, mesmo que, politicamente, esteja do mesmo lado dele. "Ele interfere demais, o que enfraquece seu material." Quiosque e lounge Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, 3283-2179 / 3266-8518 / 3262-3596) Site www.mostra.org Ingressos Individuais:2ª a 5ª, R$ 11 (sexta, sáb. e dom., R$ 13)Pacotes: 20 ingressos, R$ 100; 40 ingressos, R$ 185 Salas Centro Cultural São Paulo (110 lug.). R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 3277-3611, ramal 279 CEU Curuçá (450 lug.). Av. Marechal Tito, 3.400, Vila Curuçá, 6563-6145 Cine Olido (293 lug.). Av. São João, 473, Centro, 3334-0001 Cinearte 1 (420 lug.), 2 (150 lug.). Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2.073 - Cerqueira César - 11. 3285.3696 Cineclube Directv 1 (278 lug.); Sala 2 (169 lug.); Sala 3 (98 lug.). R. Augusta, 2530, Jd. Paulista, 3085-7684 Cinesesc (329 lug.). R. Augusta, 2.075, Jd. Paulista, 3064-1668 Espaço Unibanco 1 (273 lug.). R. Augusta, 1.475, 288-6780 Faap - Auditório 1 (300 lug.). R. Alagoas, 903, Higienópolis, 3662-7332 Metrô Santa Cruz (189 lug.). R. Domingos de Moraes, 2.564, 3471-8066 MIS - Auditório (171 lug.). Av. Europa, 158, Jd. Europa, 3088-0896 Morumbi 3 (246 lug.). Av. Roque Petroni Jr., 1.089, Morumbi, 5189-4556 Sala Cinemateca (105 lug.). Lgo. Senador Raul Cardoso, 207, 5084-2177 Sala UOL (271 lug.). R. Fradique Coutinho, 361, 5096-0585 Unibanco Arteplex 1 (268 lug.); 2 (234 lug.). Rua Frei Caneca, 569 / 3ª piso, 3472-2365 Vão Livre do Masp (aprox. 300 lug). Av. Paulista, 1.578, Cerqueira César, 3251-5644

Agencia Estado,

29 de outubro de 2004 | 20h02

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