Filme de Benigni fala de amor na guerra do Iraque

"É um filme épico, não lírico. Um filme sobre a força do amor, um sentimento que comove o coração, um tigre feroz que não é absolutamente uma florzinha como muitos pensam", declarou o ator e diretor italiano Roberto Benigni sobre o seu novo filme, O Tigre e a Neve, em uma entrevista coletiva concedida hoje em Roma. A coragem do protagonista, o poeta Attilio, interpretado pelo próprio Benigni, que não deixa de seguir, em um Iraque em plena guerra, a sua mulher Vittoria (Nicoletta Braschi), "é a característica de todo épico. Um sentimento que é associado com o amor mais que com a guerra", acrescenta o diretor. De qualquer modo, O Tigre e a Neve, que estréia na Itália em 14 de outubro, "não é um filme piegas porque não é ideológico. Queria chegar no coração da guerra e isto é ainda mais perigoso e mais forte, porque entra de forma prepotente nas almas e nas consciências. É feroz, mas não piegas", acrescentou Benigni. "Queria apenas distrair e comover o público. Às vezes a distração é mais forte porque é sem ideologia. O meu protagonista é apenas um homem que combate a sua guerra pessoal. E como é mais heróica a guerra deste pequeno homem! Se alguém vai direto contra a guerra, não obtém o resultado correto", explica o diretor premiado com um Oscar pelo filme A Vida é Bela. Benigni, que no filme interpreta o poeta Attilio, explica que o personagem "é um poeta um pouco louco". "E o fato de o protagonista deste filme ser um poeta é por si só um fato revolucionário para um filme", salienta o diretor. Benigni também explica que seria errado "procurar significados demais" sobre como o seu personagem se dirige a Alá. "No filme sou um católico mesmo se não falo de Deus. Penso que seja uma coisa bonita que em um certo ponto me dirija a Alá, mas depois declamo também a única oração que conheço, o Pai Nosso", explica o célebre diretor italiano. Os postos de controle dos militares norte-americanos, no qual se encontra Attilio, são "os norte-americanos vistos do ponto de vista de um poeta. Assim, não há nenhum juízo de qualquer tipo sobre eles, apenas piedade", esclarece Benigni. O Tigre e a Neve, que já foi vendido para a França, poderá também ser vendido para o Iraque, como afirmou o diretor ao final da entrevista coletiva.

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