Divulgação
Divulgação

'Que Horas Ela Volta?', de Anna Muylaert, é o escolhido para disputar uma vaga no Oscar

O júri foi unânime na expectativa de que a escolha atraia o público brasileiro e melhore a bilheteria nacional do filme; confira o trailer

Luiz Carlos Merten e Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2015 | 16h03

Atualizado às 20h50

RIO - Estão nascendo as estratégias brasileiras para a conquista do primeiro Oscar de filme estrangeiro para o País - na quinta, 10, tão logo o longa Que Horas Ela Volta? foi anunciado como representante nacional à conquista de uma vaga na grande festa de Hollywood, a diretora Anna Muylaert e o produtor Fabiano Gullane, cada um por seu lado, deixaram de lado eventuais diferenças para focar no objetivo comum. “O importante agora é reunir esforços pensando na campanha internacional e também melhorar os números no Brasil”, disse o produtor. O anúncio do candidato brasileiro estava previsto para ser feito às 11 horas desta quinta-feira, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio, mas tardou quase uma hora.

No outro lado da linha, tão logo foi comunicada pelo repórter - havia uma repórter do Estado no local em que foi feito o comunicado -, a diretora deu um suspiro de alívio: “Muito bom!”

Em suas andanças pelo exterior, desde que o filme foi premiado no Sundance, e depois, durante o lançamento na Europa, Anna Muylaert conheceu muita gente que gostou tanto de Que Horas Ela Volta? que se ofereceu para ajudá-la a levar adiante uma eventual candidatura aos prêmios da Academia. “Não pensava especificamente no filme como feminista, mas como um filme para o Brasil. Ocorre que, nesses contatos todos, tive muito apoio de simpatizantes e feministas que viam muito o Que Horas...? pelo ângulo da mulher, e se isso ajudar é uma via que vale tentar.” Anna diz esperar que o anúncio favoreça os números do filme no mercado, que andam baixos.

“Está ocorrendo uma coisa curiosa. O filme vai muito bem no circuito de arte e decepciona como o blockbuster que não é, porque, na verdade, não teve um grande investimento para ser um filme gigantesco. No circuito do Adhemar (Oliveira) em São Paulo e Rio - Espaço e Arteplex -, as sessões têm lotado e o público não diminuiu com a mudança para salas menores. A questão é chegar a um público de periferia, que quer ver o filme. No Rio, me cobram que um filme sobre separatismo (de classes sociais, patrões e empregados) não esteja chegando à zona norte. É o próprio separatismo.

Acho que essa é uma discussão necessária. Como levar um filme que tem vocação para ser de público, até o público que não tem acesso a ele? Quero muito discutir estratégias para o Oscar, mas quero mais que o filme seja visto no Brasil, porque a discussão que interessa está aqui.”

O júri de sete pessoas foi unânime na expectativa de que a escolha atraia o público brasileiro e melhore a bilheteria nacional do filme, que rendeu a Regina Casé e Camila Márdila o prêmio de melhor atriz no Festival de Sundance, nos Estados Unidos. Em duas semanas em cartaz, o longa teve 66,1 mil espectadores. Outra produção brasileira, Linda de Morrer, com Glória Pires, teve 734,7 mil espectadores em três semanas de exibição. 

“Um dos aspectos que a gente considera importantes é a carreira do filme no Brasil. Ao contrário da carreira internacional, o filme não vai tão bem quanto merecia. Com essa indicação, tem a possibilidade de alavancar a carreira aqui. Muitas vezes, as pessoas não veem bons filmes por absoluta falta de conhecimento de que o longa está sendo exibido”, afirmou a jurada Silvia Rabello, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav). 

“É um pleito de nós todos, mais que uma escolha estratégica, do ponto de vista de levar um filme brasileiro para fora, que nossa decisão reverbere positivamente no âmbito interno e ajude esse filme a ter uma visibilidade popular maior do que teve até agora. Ele não teve a visibilidade que não apenas merece, mas que precisa. É um filme que traz algo novo, mas não livre da tradição do cinema brasileiro, que começa em 2012, com O Som ao Redor, de reorganizar nosso discurso sobre a classe média”, disse o crítico Rodrigo Fonseca. Segundo ele, o filme teve 150 mil espectadores apenas na França e também é sucesso de bilheteria na Itália e em outros países europeus. “Há, nesses países, um interesse por esse novo Brasil, por essa nova identidade brasileira.”

Na definição de Fonseca, “o filme é um retrato afetivo sobre as transformações do Brasil pós-era Lula, depois da emergência das classes C e D”. “Considero o personagem da filha o mais revolucionário, embora não fale em revolução do cinema brasileiro dos últimos tempos”, elogiou o cenógrafo e produtor Marcos Flaksman. 

O cineasta Daniel Ribeiro, indicado no ano passado para concorrer ao Oscar com Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que não ficou entre os finalistas, disse que o sucesso internacional obtido por Que Horas Ela Volta? aumenta a chance de atrair o interesse dos jurados do Oscar, que não têm obrigação de assistir a todos os 83 títulos indicados para melhor estrangeiro, mas se interessam pelos que se destacam em festivais. “Quanto mais elementos positivos você tem para chamar atenção da Academia, melhor”, afirmou. 

A escolha do filme foi anunciada pelo coordenador da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Lula Oliveira. Também fizeram parte do júri o chefe do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza, e o chefe da assessoria internacional da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Eduardo Novelli Valente. Os cinco finalistas serão anunciados no dia 14 de janeiro e a cerimônia de entrega ocorre em 28 de fevereiro.

Os outros longas que disputaram a indicação brasileira foram: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante, Alguém Qualquer, de Tristan Aronovich, Campo de Jogo, de Eryk Rocha, Casa Grande, de Felipe Barbosa, Entrando numa Roubada, de André Moraes, Estranhos, de Paulo Alcântara, e Estrada 47, de Vicente Ferraz. 

A escolha do filme foi anunciada pelo coordenador da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Lula Oliveira. Também fizeram parte do júri o chefe do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza, e o chefe da assessoria internacional da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Eduardo Novelli Valente. Os cinco finalistas aos Oscar 2016 serão anunciados no dia 14 de janeiro.

Os outros longas que disputaram a indicação brasileira foram:

A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante

Alguém Qualquer, de Tristan Aronovich

Campo de Jogo, de Eryc Rocha

Casa Grande, de Felipe Barbosa

Entrando numa Roubada, de André Moraes

Estranhos, de Paulo Alcântara

Estrada 47, de Vicente Ferraz

 


Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.