Filme de 1933 é restaurado e exibido no Rio

O filme O Caçador de Diamantes, de 1933, dirigido por Vitório Capellaro, será exibido amanhã, às 19h30, no Cine Odeon, centro do Rio, em cópia nova e restaurada, com música ao vivo, como na estréia. É o único dos nove longas do diretor que não é dado como perdido. Capellaro era imigrante italiano e foi um dos primeiros a dedicar-se ao cinema comercial no Brasil. A sessão terá a presença da estrela do filme, a atriz Corita Cunha, que tinha 16 anos na época das filmagens e é a única da equipe ainda viva. Há quatro anos, a Cinemateca Brasileira restaurou O Caçador de Diamantes, mas só fez uma cópia, nunca exibida para evitar desgaste. Com R$ 16 mil da BR-Distribuidora foi feita a cópia em película e a telecinagem (para lançamento em vídeo, VHS e DVD). O dinheiro deu ainda para encomendar uma trilha sonora nova e editar o roteiro, com a grafia original, do próprio Capellaro e de Niraldo Ambra, que também será lançado amanh pela Editora Degrau e vai para livrarias especializadas a R$ 5 o exemplar."Queremos trazer de volta ao mercado os filmes dos primórdios do cinema nacional. Não basta fazer cópia nova e restauração, é preciso relançá-los nos suportes modernos e, se possível, nas salas convencionais", diz a diretora do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), Myrna Brandão, que restaura também Menino de Engenho e Carnaval no Fogo. "Nossa dificuldade é que as leis de incentivo do cinema privilegiam produção, distribuição e exibição e os patrocinadores raramente escolhem a preservação de filmes, porque dá menos visibilidade a eles."No caso de Capellaro, toda uma concepção de cinema corria o risco de se perder. Seu roteiro para O Caçador foi um dos primeiros escritos no Brasil. Há fragmentos de Fazendo Fita, uma comédia musical, mas os outros títulos, baseados em clássicos da literatura brasileira, se perderam."Era um diretor delicado, nem parecia que a gente estava filmando", lembra-se Corita, que fez mais dois filmes, casou-se e abandonou a carreira. Aos 84 anos, ela conta que a locação era no atual Parque do Ibirapuera, mas não se recorda do galã. "Era um rapaz que trabalhava no comércio e, na primeira cena romântica, ele me disse ´dê-me licença para beijá-la´, mas eu dava beijos de verdade e não de cinema."

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