Filme contundente mostra o mundo brutal dos soldados crianças

Um filme chocante, cujo elenco é feitode antigos soldados meninos da Libéria e que foi rodado nasruas de Monróvia, retrata o caos brutal das guerras civis quevêm consumindo gerações de crianças africanas. "Johnny Mad Dog", do diretor francês Jean-StephaneSauvaire, acompanha um bando de garotos armados de fuzisKalashnikov e ostentando apelidos como "No Good Advice" (NenhumBom Conselho) "Small Devil" (Pequeno Diabo) e "Jungle Rocket"(Foguete da Selva) enquanto invadem a capital de um paísafricano não identificado. O elenco, formado em sua maioria por ex-soldados mirins,confere uma autenticidade quase documental ao filme, baseado noromance homônimo de Emmanuel Dongala. "Eu quis ficar muito próximo da realidade", disse o diretorà Reuters no Festival de Cinema de Cannes, onde o filme estásendo exibido. "Eu precisava falar a verdade sobre esse assunto. Nãoqueria apenas pegar um menino, uma arma e fazer um filme deação." Rodado em estilo dinâmico e impactante, o filme pinta umretrato angustiante de um mundo em que crianças são arrancadasde suas famílias e convertidas em matadores amorais por líderesque eles pouco conhecem. Christopher Minie, que representa o adolescente Johnny MadDog, e seu subordinado No Good Advice, representado por DagbehTweh, intercalam brutalidade indiferente com flashes ocasionaisde humanidade que traem a criança que ainda existe por baixodos matadores de olhos gelados. "Todos os atores do filme são amadores e todos têmexperiência de guerra", disse Sauvaire. "Não conseguimos imaginar esse tipo de coisa. Por isso, foimuito importante para mim rodar o filme na Libéria, com essetipo de pessoas", disse ele. Vestindo trajes bizarros que incluem perucas coloridas, umvestido de noiva, um capacete de futebol americano e um par deasas de anjo, os combatentes, eles próprios drogados ebrutalizados por seu comandante, mais velho, matam, estupram esaqueiam com indiferença. Em meio à loucura e ao terror, a menina Laokole, de 13anos, representada por Daisy Victoria Vandy tenta salvar seuirmão mais novo e seu pai, que não tem pernas, fugindo dasgangues assassinas entre prédios queimados e ruas vazias. Não existem estatísticas precisas quanto ao número decrianças recrutadas para serem soldados nos últimos anos, masum relatório divulgado esta semana pela Coalizão para Acabarcom o Uso de Soldados Crianças diz que dezenas de milhares decrianças pararam de combater desde 2004, com o fim do cicloprolongado de guerras civis na África.

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