Fabian Bimmer/Reuters
Fabian Bimmer/Reuters

Filme com Kevin Spacey chega aos cinemas apesar de denúncias de assédio contra o ator

Banido de Hollywood, o ator não tem outros projetos no momento; veja o trailer de 'Billionaire Boys Club'

Amanda Svachula, New York Times

21 Junho 2018 | 16h21

Hollywood praticamente baniu Kevin Spacey no outono passado, após várias alegações de má conduta sexual contra ele. Mas o próximo mês marcará o retorno de Spacey à tela, em um novo filme, Billionaire Boys Club (ainda sem nome em português).

Sua distribuidora, Vertical Entertainment, disse nesta semana que havia decidido lançar o filme, que acompanha um grupo de garotos ricos envolvidos em um esquema Ponzi, porque foi feito há dois anos e meio, antes que as acusações começassem a surgir em outubro passado.

“Não toleramos o assédio sexual em qualquer nível e apoiamos totalmente as vítimas”, disse a empresa em um comunicado. "Ao mesmo tempo, não é uma decisão fácil nem insensível lançar este filme nos cinemas, mas acreditamos em dar ao elenco, assim como às centenas de integrantes da equipe que trabalharam duro no filme, a chance de ver seu produto final chegar ao público."

No filme, Spacey tem um papel coadjuvante como Ron Levin, um escroque, ao lado de um elenco incluindo Ansel Elgort, Emma Roberts, Taron Egerton e Judd Nelson. Ele é importante o suficiente no filme, aparecendo várias vezes em um trailer recente. A Vertical disse que o filme será lançado via vídeo sob demanda em 17 de julho e nos cinemas em 17 de agosto, mas não detalhou quais serviços de streaming ou cinemas.

A decisão da Vertical é incomum, já que a maior parte de Hollywood se distanciou de Spacey depois que o ator Anthony Rapp o acusou de tentar insinuar-se junto a ele na década de 1980, quando Rapp tinha 14 anos e Spacey 26.

Um ex-âncora de TV apresentou-se logo depois acusando Spacey de ter investido contra seu filho e em seguida 20 pessoas que trabalharam com Spacey no teatro Old Vic, em Londres, onde ele foi diretor artístico há 11 anos, acusaram-no de conduta imprópria.

Spacey emitiu um pedido de desculpas a Rapp, no qual revelou que era gay, recebendo críticas de pessoas que achavam que ele estava usando essa saída como uma distração de seu comportamento.

Apesar de a decisão custar milhões de dólares à Sony e colocar o diretor Ridley Scott sob pressão do tempo, Spacey foi completamente cortado de seu papel de coadjuvante no filme já terminado, Todo o Dinheiro do Mundo. Scott refez o papel de Spacey com Christopher Plummer tomando seu lugar

O Media Rights Capital, o estúdio por trás de House of Cards, suspendeu Spacey de seu papel principal no drama político durante a produção de sua sexta temporada. E a Netflix cancelou o lançamento de um filme biográfico de Gore Vidal que estrelou e foi produzido por Spacey, custando US$ 38 milhões à plataforma.

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Spacey não tem outros próximos lançamentos ou programas listados no banco de dados de entretenimento imdb.com. Seus representantes não responderam aos pedidos de comentários. A última vez que o ator divulgou um comunicado foi em novembro passado, quando seu relações públicas anunciou que ele daria um tempo em suas atividades, “para buscar avaliação e tratamento”.

Tradução de Claudia Bozzo

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