Arquivo Estadão
Arquivo Estadão

Filme brasileiro ‘Besouro’ volta a ser exibido em Los Angeles

Eleito melhor filme no PAFF de 2011, o longa terá sessões especiais na edição deste ano do festival

Pedro Rocha, Especial para o Estado

05 de fevereiro de 2019 | 03h00

Este ano, o filme brasileiro Besouro completa 10 anos desde a sua estreia no Brasil, em 2009. A comemoração vem com a seleção do longa para sessões especiais no Festival de Cinema Pan Africano — ou PAFF, na sigla em inglês — onde foi eleito o melhor filme de ficção na edição de 2011. 

Besouro será exibido novamente no festival, realizado em Los Angeles, nos EUA, nos dias 9, 14 e 18 de fevereiro, às 18h, 14h40 e 9h30, respectivamente. O filme vai receber ainda uma sessão de gala com o diretor, João Daniel Tikhomiroff, que não pode receber o prêmio conquistado por seu longa em 2011.

“Estava rodando uma série e não pude me ausentar, não fazia ideia que iria ganhar”, relembra Tikhomiroff, em entrevista ao Estado. “Insistiram para que eu estivesse lá desta vez, na sessão vou responder a perguntas do público.”

Besouro é a única produção brasileira a ter recebido o prêmio máximo nas 26 edições já realizadas do PAFF, festival internacional focado em filmes de promoção cultural das heranças africanas. Na apresentação do filme, em seu site, a organização do festival caracteriza Besouro como “uma das maiores produções cinematográficas brasileiras já feitas”. 

O filme de Tikhomiroff é uma ficção inspirada pelas lendas que envolvem a figura real do baiano Manuel Henrique Pereira, capoeirista que esteve em atividade na Bahia nos anos 1920 e ficou conhecido como Besouro Mangangá. No longa, o Besouro tem poderes super-humanos, como o de voar, conquistados com a ajuda de Orixás, que utiliza para lutar contra a escravidão que seguiu no País mesmo após a abolição em 1888. 

“Fico emocionado e orgulhoso”, diz o cineasta sobre o longa, que chegou a receber prêmios também em outros festivais. “O filme tem uma história muito brasileira, desde as origens e mitologias africanas do candomblé até algo completamente brasileiro, como a capoeira, que causa um encantamento em todo o mundo.”

Besouro é um raro exemplo de filme de ação brasileiro e com aspectos que lembram as histórias em quadrinhos. O longa precedeu o grande boom de filmes de super-heróis promovido pelos estúdios Marvel, da Disney, ao longo desta década. “Ele é uma espécie de super-herói. Apesar de a história real estar ali, as lendas sobre o Besouro estão muito presentes, como a fantasia de que ele voava, ou de que quando ele morreu incorporou em outras pessoas.”

Para Tikhomiroff, é possível que Besouro tenha servido de referência visual para Pantera Negra, filme da Marvel sobre um fictício país africano, que em 2019 concorre ao Oscar de melhor filme. “Já me disseram que alguém da produção de Pantera Negra afirmou que Besouro foi uma referência”, relata. “É possível, há três cenas muito marcantes dos dois filmes que são visualmente parecidas, além da forma como o protagonista se relaciona com os Orixás.”

Tikhomiroff planeja agora inserir a lenda do Besouro Mangangá na televisão, em formato de série. O cineasta está desenvolvendo, com a produtora Mixer Filmes, um projeto para a TV baseado no personagem. Desta vez, o público vai encontrar o espírito do Besouro nos dias atuais, numa cidade grande. “É o mesmo personagem, mas nos dias de hoje, com uma outra forma”, explica o diretor. “Porém ainda capoeirista e com a relação com os Orixás.”

Nos últimos meses, circularam notícias de que o projeto estava em produção com a Globo, mas Tikhomiroff afirma que o canal de exibição do projeto ainda não está definido. A mesma notícia afirmava que a série não teria relação com o candomblé, o que o diretor também nega. “Seria um absurdo o personagem não ter essa relação religiosa, é algo que está na base da nossa cultura, seria uma pena desperdiçar isso.”

Mais conteúdo sobre:
João Daniel Tikhomiroff

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.