Filme árabe sobre homossexuais promete polêmica

O filme Edifício Yacoubian, que está sendo produzido no Egito com um orçamento de cerca de US$ 6,7 milhões (quase R$ 16 milhões), já ostenta o título de mais caro da história do cinema árabe. E quando o filme for lançado, no ano que vem, também deve ser um sério candidato à lista do mais polêmicos.Com base em um livro de sucesso - que tem personagens e situações fictícias ambientados em um prédio famoso e que de fato existe no Cairo -, o diretor Marwan Hamid vai trazer para as telas figuras controvertidas e grandes tabus.Há uma universitária-prostituta, um escritor gay que namora um policial casado, um porteiro viciado em haxixe e um político corrupto, todos residentes do Edifício Yacoubian. Com tudo isso, o simples fato de o roteiro ter conseguido passar pela censura já foi o suficiente para atrair a atenção sobre ele.Como o Egito é o maior produtor e exportador de cinema e TV do mundo árabe, é possível que a obra acabe sendo exibida em outros países do Oriente Médio. Certamente, no entanto, ele não vai conseguir atravessar tantas fronteiras quanto as centenas de comédias, novelas e séries de TV - em geral inocentes com ocasionais e sutis duplos sentidos - que o Egito manda todo os anos para o resto do mundo árabe.O ator Khaled Sawy - que interpreta o escritor homossexual que protagoniza a história - diz que os produtores também estavam conscientes de que certos limites não poderiam ser ultrapassados se quisessem ver o filme nas telas."Infelizmente é verdade que temos censura. Quando estamos produzindo uma obra de arte, sabemos que há um teto que não pode ser ultrapassado", diz Sawy.No caso do filme Edifício Yacoubian os produtores perceberam que mostrar cenas muito explícitas de corpos se tocando e de beijos - principalmente entre dois homens - ultrapassaria em muito o teto, não só da censura como também da sensibilidade do público egípcio."Nós estamos mostrando neste filme o amor homossexual completo, de uma maneira nunca antes exposta no cinema árabe. Mas o que queremos mostrar é todo o lado do sentimento e do amor e não necessariamente dois homens na cama", diz Sawy.O ator diz que o filme pretende mostrar coisas novas para um público pouco acostumado a elas, mas sem deixá-lo "enojado"."Queremos que as pessoas assistam ao filme e saiam de lá pensando. Não queremos que ninguém saia do cinema no meio do filme fisicamente chocado com o que viu", disse.

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